Agosto lilás reforça a importância da conscientização e do combate à violência contra a mulher
No Brasil, a violência contra a mulher muitas vezes permanece silenciosa e invisível, escondida por trás de relacionamentos aparentemente estáveis. Muitas vítimas convivem com ciclos de controle, medo e dor, sem apresentarem marcas físicas, mas sofrendo abusos psicológicos, financeiros e sexuais que afetam profundamente sua autoestima e liberdade. É nesse cenário que o Agosto Lilás ganha força, destacando a importância da conscientização, da educação e da quebra do silêncio sobre esse grave problema social.
Segundo a psicóloga Simone Cougo, professora da Estácio, os sinais de violência psicológica podem ser sutis e, por isso, passam despercebidos. Entre os mais comuns estão ciúmes excessivos, críticas constantes, chantagens emocionais e o controle sobre roupas, redes sociais e rotina da vítima. Simone explica que o ciclo da violência se desenvolve em três fases: tensão, explosão e reconciliação. O agressor alterna comportamentos de afeto com episódios de agressão, criando uma confusão emocional que dificulta a percepção do abuso. Muitas mulheres permanecem na relação por dependência emocional, financeira ou pressões sociais, mesmo enfrentando sofrimento contínuo.
As consequências desse cenário são graves e vão além da saúde emocional, podendo resultar em transtornos de ansiedade, depressão, baixa autoestima, problemas físicos relacionados ao estresse e até dificuldades na vida profissional. Um dos aspectos mais silenciosos é o abuso financeiro, que pode incluir controle absoluto dos recursos, destruição de bens pessoais e até uso dos filhos como forma de chantagem.
Para romper esse ciclo, a rede de apoio é essencial. Familiares, amigos, instituições e canais de denúncia, como o Ligue 180, desempenham um papel fundamental no acolhimento e na proteção das vítimas. No entanto, Simone ressalta que a solução vai além das campanhas pontuais: é preciso investir em educação para a igualdade de gênero, fortalecer os canais de denúncia e capacitar profissionais para identificar e combater os diferentes tipos de abuso.
O Agosto Lilás reforça que a luta contra a violência doméstica precisa ser constante e coletiva, garantindo que a segurança, a dignidade e a autonomia das mulheres sejam prioridades durante todo o ano.

