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Alimentação e saúde mental: o poder dos nutrientes no equilíbrio da mente

Nos últimos anos, o debate sobre saúde mental deixou de ser restrito aos consultórios e ganhou espaço como uma questão social urgente. Ansiedade, depressão e estresse crônico afetam milhões de pessoas no Brasil e no mundo, e, cada vez mais, a nutrição é reconhecida como uma aliada essencial no cuidado da mente. Diversos estudos apontam que nutrientes como ômega-3, vitaminas do complexo B, magnésio e triptofano têm papel direto na produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, fundamentais para o humor, a concentração e o bem-estar.

Segundo a nutricionista Alessandra Sales, especialista em Saúde da Família pela UNIFASE, a relação entre alimentação e equilíbrio emocional está ligada ao chamado eixo intestino-cérebro — uma via de comunicação entre o sistema digestivo e o sistema nervoso central. “A microbiota intestinal, composta por trilhões de bactérias, influencia diretamente a saúde mental ao produzir neurotransmissores e regular processos inflamatórios. Quando há desequilíbrio, conhecido como disbiose, o risco de depressão, ansiedade e doenças neurodegenerativas aumenta”, explica.

Uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e peixes ajuda a manter esse equilíbrio, enquanto o consumo excessivo de ultraprocessados — ricos em açúcares, gorduras trans e aditivos — pode comprometer a produção de serotonina e intensificar a inflamação no organismo. “O que colocamos no prato tem impacto direto na nossa disposição, na qualidade do sono e até na forma como reagimos ao estresse”, reforça Alessandra.

O psicólogo Diogo Fagundes, professor da UNIFASE, lembra que a conexão entre comida e emoção é profunda e começa ainda na infância. “Desde a amamentação, o ato de comer está ligado ao afeto. Na vida adulta, muitas vezes buscamos na comida conforto para lidar com frustrações e desafios emocionais”, afirma.

Essa abordagem integrada mostra que o cuidado com a saúde mental vai além da mente — envolve também acolhimento, cultura alimentar e vínculos afetivos. Para Alessandra, “mais do que prescrever dietas, o papel do nutricionista é ouvir, compreender e construir junto com o paciente hábitos que façam sentido para sua realidade”.

Buscar o equilíbrio psicológico, portanto, não significa seguir um cardápio rígido, mas adotar uma alimentação diversa, prazerosa e consciente, capaz de nutrir corpo e mente. A comida, mais do que combustível, é também instrumento de cuidado, memória e pertencimento — um ingrediente essencial na receita do bem-estar.