Autismo na vida adulta: a busca pelo diagnóstico e o impacto da informação

Com a popularização da internet, o acesso à informação sobre saúde tornou-se mais democrático. As redes sociais desempenham um papel essencial na troca de experiências sobre transtornos como o autismo, permitindo que muitas pessoas se identifiquem com essas narrativas. Esse movimento tem levado um número crescente de adultos a procurar avaliação médica para compreender melhor suas dificuldades e, possivelmente, receber um diagnóstico que explique suas vivências.

Pesquisas recentes indicam que muitos adultos chegam ao diagnóstico após vivências negativas, que os deixaram sem respostas sobre seus desafios diários. Além disso, a experiência de ter um filho diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode servir como um gatilho para que reflitam sobre suas próprias características. Pessoas com manifestações mais sutis do autismo, especialmente aquelas com bom desempenho cognitivo, muitas vezes não foram diagnosticadas na infância, perpetuando desafios por anos sem compreensão adequada.

Um estudo com 161 adultos autistas diagnosticados após os 18 anos revelou que a maioria já havia buscado ajuda em serviços de saúde mental, mas enfrentou um longo tempo de espera para o diagnóstico — em média, 11 anos para homens e 12 anos para mulheres. Além disso, muitos receberam diagnósticos psiquiátricos incorretos antes do reconhecimento do autismo. Esse atraso dificulta o acesso a intervenções adequadas e acentua o sentimento de inadequação relatado por muitos adultos autistas. Mesmo após a suspeita do TEA, a espera média para a confirmação formal com um profissional especializado é de 3,25 anos.

A Lei Berenice Piana, sancionada em 2012, trouxe avanços ao reconhecer o autismo como uma deficiência, garantindo direitos como tratamento multidisciplinar, educação inclusiva e acesso ao mercado de trabalho. No entanto, ainda há um grande desafio: garantir que adultos autistas também tenham suporte adequado ao longo da vida.

Neste Dia Mundial de Conscientização do Autismo, é essencial reforçar a importância do diagnóstico preciso e do suporte contínuo, considerando as experiências e necessidades individuais de cada pessoa no espectro. A compreensão e o respeito às vivências dos autistas são fundamentais para uma sociedade mais inclusiva e acolhedora.