Calor extremo marca o Carnaval 2026 e especialistas alertam para riscos à saúde durante a folia
O Carnaval 2026 deve reunir milhões de foliões em todo o país, mas também será lembrado pelas temperaturas elevadas que têm atingido diversas regiões do Brasil. Com a intensificação das ondas de calor, especialistas em saúde reforçam a necessidade de cuidados extras para que a festa não se transforme em um problema de saúde. Além das atenções tradicionais com alimentação e consumo de bebidas alcoólicas, o calor intenso impõe novos desafios e exige medidas preventivas para garantir segurança e bem-estar durante os dias de celebração.
O médico emergencista e cardiologista Leandro da Silva Elias, professor do IDOMED, explica que a exposição prolongada ao sol e às altas temperaturas pode provocar a insolação, conhecida como golpe de calor. Segundo ele, essa condição ocorre quando o organismo perde a capacidade de regular a própria temperatura, que pode ultrapassar os 40°C. “Nesse cenário, há risco de danos neurológicos, falência de órgãos e até morte, caso não haja atendimento imediato”, afirma. Entre os principais sintomas estão desidratação, tontura, queda de pressão, cãibras, dor de cabeça, agravamento de doenças respiratórias e complicações cardiovasculares. Idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas, obesidade, trabalhadores expostos ao sol e foliões que consomem álcool em excesso estão entre os grupos mais suscetíveis.
O impacto do calor sobre o sistema cardiovascular também preocupa. De acordo com o especialista, o corpo precisa intensificar o trabalho para dissipar o calor e manter o equilíbrio térmico, o que eleva a frequência cardíaca e sobrecarrega a circulação. “Esse esforço pode provocar queda da pressão arterial, desequilíbrio de eletrólitos, aumento do risco de coágulos e até acidente vascular cerebral”, alerta. Para reduzir os riscos, o médico recomenda pausas regulares em locais sombreados, uso de roupas leves, protetor solar e hidratação constante, com água, sucos naturais, água de coco e bebidas isotônicas, especialmente para quem ingere álcool.
Além do calor, os excessos alimentares e o consumo de bebidas alcoólicas continuam entre as principais causas de atendimentos médicos após o Carnaval. A nutricionista Anete Mecenas, coordenadora do curso de Nutrição e docente da Estácio, destaca que o consumo exagerado de ultraprocessados e álcool pode trazer consequências graves. “O álcool é um fator de risco para doenças cardiovasculares, hipertensão e alterações metabólicas. Já os alimentos ultraprocessados, ricos em sódio, gordura e açúcar, contribuem para o aumento da pressão arterial, o risco de diabetes tipo 2 e a obesidade, que está associada a complicações cardíacas”, explica.
A especialista defende o equilíbrio como estratégia principal para atravessar a maratona de festas com mais saúde. Ela recomenda iniciar o dia com um café da manhã reforçado e optar por lanches leves e nutritivos ao longo da folia. Entre as sugestões estão frutas, castanhas, amendoim, barrinhas de proteína e sanduíches simples. No almoço, a orientação é apostar em refeições completas, com arroz, feijão, proteína e salada. À noite, a preferência deve ser por refeições mais leves, acompanhadas de água de coco ou sucos naturais. A ingestão diária de água, segundo a nutricionista, deve ser de pelo menos dois litros.
Para quem exagerou nos dias de festa, a recuperação passa pela reposição de líquidos e nutrientes. “A prioridade é a hidratação, com água, água de coco e chás. O aumento do consumo de frutas, verduras e legumes ajuda a reduzir processos inflamatórios e ameniza sintomas como dor de cabeça e fadiga”, orienta. Alternar bebidas alcoólicas com água também é uma estratégia simples que contribui para a prevenção da desidratação e melhora a disposição.
Em um cenário marcado por calor extremo e intensa celebração, aproveitar o Carnaval com responsabilidade torna-se essencial. A prevenção da insolação, a moderação na alimentação e o respeito aos limites do corpo são fatores decisivos para garantir que a festa termine de forma segura. Mais do que curtir o ritmo da folia, é fundamental reconhecer os sinais do organismo e adotar hábitos equilibrados. Assim, o Carnaval pode ser lembrado pelos momentos de alegria — e não por problemas de saúde.

