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Casos de coqueluche crescem no Brasil e alertam para a importância da vacinação infantil


O Brasil registrou um aumento expressivo nos casos de coqueluche entre crianças menores de 5 anos em 2024, totalizando 4.304 ocorrências, um salto de 1.253% em comparação aos 318 casos registrados no ano anterior. Apesar do cenário crítico em nível nacional, Petrópolis reportou 17 casos e 7 internações entre 2024 e 2025, sem registro de óbitos. Para a professora Patricia Bocollini, da UNIFASE/FMP, os números locais ainda exigem atenção, especialmente diante da queda na cobertura vacinal e da possibilidade de surtos cíclicos da doença.

O estudo do Observa Infância (Icict/Fiocruz e UNIFASE/FMP) aponta que a coqueluche é altamente contagiosa e pode ser grave em bebês, sendo influenciada pela redução da imunização e pelo retorno da circulação bacteriana após a pandemia. Embora a cobertura da vacina tríplice bacteriana (DTP) tenha subido de 87,6% em 2023 para 90,2% em 2024 em crianças menores de 1 ano, ainda permanece abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. “Ainda há grupos significativos de crianças desprotegidas, mantendo o risco de novos surtos”, alerta Bocollini.

Especialistas reforçam a importância da vacinação durante o pré-natal, com a aplicação da dTpa em gestantes, garantindo proteção aos bebês nos primeiros meses de vida. A desigualdade na cobertura vacinal entre municípios é outro ponto de preocupação, pois dados agregados podem mascarar situações críticas em localidades específicas. “É fundamental fortalecer a atenção primária e realizar busca ativa por crianças com esquema vacinal incompleto, além de investir em testagem precoce e reforço de doses”, destaca a pesquisadora.

Diante do cenário, o Ministério da Saúde lançou em outubro a Campanha Nacional de Multivacinação, voltada a crianças e adolescentes de até 15 anos. O Dia D, marcado para 18 de outubro, será uma mobilização nos postos de saúde para ampliar a imunização. “Manter e recuperar os esquemas vacinais é a estratégia mais eficaz para impedir que cidades como Petrópolis enfrentem surtos semelhantes aos registrados em nível nacional”, conclui Bocollini.