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Chuvas expõem falhas históricas na drenagem de Itaipava e reacendem alerta sobre alagamentos

As chuvas intensas que atingiram Petrópolis nos últimos dias voltaram a evidenciar um problema antigo em Itaipava: os recorrentes alagamentos na Estrada União e Indústria e em vias secundárias do distrito. A situação, já apontada pela Unita – Unidos por Itaipava a órgãos públicos em julho de 2025, segue praticamente inalterada, segundo a entidade, apesar dos alertas preventivos feitos ainda no ano passado.

A combinação de drenagem insuficiente, escoamento desordenado das ruas laterais para a via principal e bueiros obstruídos por lixo e resíduos de obras continua transformando trechos da região em pontos críticos sempre que há chuvas mais intensas. Entre as áreas mais afetadas estão os arredores do Bramil e do Parque de Exposições, onde bolsões de água comprometem a mobilidade urbana, prejudicam o comércio e aumentam os riscos para pedestres e motoristas.

De acordo com a Unita, em alguns trechos a distância entre bueiros chega a 150 metros, muitos deles parcialmente ou totalmente bloqueados. “O que vimos foi a repetição de um problema já mapeado e comunicado. As chuvas recentes foram uma prévia clara do que pode acontecer no verão se as ações preventivas não forem efetivamente executadas”, afirmou Alexandre Plantz, presidente da entidade.

Dados da Defesa Civil e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) reforçam o cenário de preocupação. Em dezembro de 2025, Petrópolis registrou 171 milímetros de chuva em apenas seis horas, resultando em dezenas de ocorrências de alagamentos. Já no início de janeiro, volumes próximos a 95 mm em 24 horas — com picos de 79 mm em apenas uma hora — anteciparam o padrão de risco típico do verão.

Embora o Plano Verão 2025/2026 preveja a limpeza de cerca de 11 mil bueiros em toda a cidade, a Unita questiona a transparência e a efetividade dessas ações especificamente em Itaipava. Para a entidade, a solução exige mais do que intervenções pontuais.

Segundo o secretário da Unita, Fabrício Santos, é fundamental adotar uma política contínua de manutenção e investir em melhorias estruturais no sistema de drenagem. O problema, destaca, é agravado pelo descarte irregular de lixo, pela impermeabilização do solo e por falhas na coleta e nos serviços de zeladoria urbana.

Alexandre Plantz reforça que a questão ultrapassa o impacto no trânsito. “Itaipava é um motor econômico vital para Petrópolis. Prevenir alagamentos é uma decisão estratégica para proteger a economia local, os investimentos e, principalmente, a segurança de moradores e visitantes”, concluiu.