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Crescimento das apostas online preocupa comércio e famílias em Petrópolis, alerta CDL

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL Petrópolis) manifestou preocupação com o avanço das apostas online no país, que já vem afetando o orçamento das famílias e, por consequência, o desempenho do comércio local. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (05) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, revela que 39,5 milhões de brasileiros gastaram com jogos ou apostas virtuais no último ano. O impacto já é perceptível no consumo: 41% dos apostadores afirmaram reduzir despesas em alimentação, supermercado e lazer para continuar jogando.

Os dados mostram que as apostas esportivas são as mais populares (54%), seguidas por jogos de cassino, como slots (28%) e roletas (22%). Entre as motivações para apostar estão curiosidade (35%), busca por ganhos rápidos (22%) e sensação de adrenalina (22%). O Pix aparece como principal forma de pagamento (76%), com média mensal de gastos chegando a R$ 255 nas classes A e B.

O presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad, chama atenção para os efeitos na economia local: “O dinheiro que antes circulava no comércio está sendo direcionado para plataformas digitais, muitas vezes estrangeiras. Isso fragiliza o setor produtivo e compromete o bem-estar das famílias.”

Além da pressão financeira, o estudo mostra que 29% dos apostadores já tiveram o nome negativado por dívidas relacionadas a jogos e 17% deixaram de pagar contas essenciais. Conflitos familiares, estresse e sintomas de depressão atingem 28% dos entrevistados. Em muitos casos, o vício provoca medidas extremas: 37% tentaram parar sem sucesso e 17% chegaram a pegar empréstimos ou vender bens.

Diante desse cenário, a CDL Petrópolis defende ações educativas e a criação de limites mais rígidos para publicidade de apostas, principalmente voltadas ao público jovem. A pesquisa mostra que 56% dos brasileiros apoiam regulamentações mais severas. “Trata-se de um desafio que envolve saúde pública, planejamento financeiro e responsabilidade social. Precisamos de equilíbrio para que o entretenimento não se transforme em prejuízo coletivo”, reforçou Mohammad.

O levantamento também aponta que 46% da população conhece alguém afetado negativamente pelas apostas, confirmando a dimensão crescente do problema.