Crise convulsiva no BBB 26 reacende debate sobre o que é convulsão e como agir em situações de emergência
O mal-estar seguido de uma crise convulsiva sofrido pelo ator Henri Castelli durante a primeira Prova do Líder do BBB 26 gerou grande comoção e mobilizou as redes sociais em torno de dúvidas recorrentes sobre o que é uma convulsão e quais são os procedimentos corretos diante desse tipo de episódio. A cena, registrada na piscina de bolinhas do reality show, trouxe visibilidade a uma condição de saúde que pode acometer qualquer pessoa, em diferentes contextos.
De acordo com a Dra. Alice Delcolletto, professora de Biomedicina da Estácio, a convulsão ocorre a partir de uma atividade elétrica cerebral anormal e excessiva, provocando manifestações temporárias como movimentos involuntários, rigidez muscular, perda de consciência, salivação intensa e, em alguns casos, alteração da respiração. “É importante esclarecer que nem toda convulsão está relacionada à epilepsia. Uma crise isolada pode acontecer apenas uma vez ao longo da vida, sem que isso configure uma doença crônica”, explica a especialista.
Os principais riscos durante uma crise convulsiva estão associados a quedas, traumas, engasgos e à diminuição da oxigenação, o que torna essencial a adoção de condutas corretas por quem presencia a situação. Entre as causas mais comuns estão febre alta (especialmente em crianças), traumatismos cranianos, infecções do sistema nervoso central, distúrbios metabólicos, uso ou abstinência de álcool e drogas, tumores cerebrais e acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Diante de uma convulsão, a orientação médica é manter a calma, deitar a pessoa de lado — na chamada posição lateral de segurança —, afastar objetos que possam causar ferimentos, proteger a cabeça e observar o tempo de duração da crise. “Nunca se deve colocar objetos ou os dedos na boca da pessoa, tentar contê-la à força ou oferecer líquidos e alimentos durante a convulsão”, alerta a Dra. Alice. O atendimento médico deve ser acionado imediatamente se a crise durar mais de cinco minutos, ocorrer de forma repetitiva, for a primeira da vida ou envolver gestantes, diabéticos ou pessoas com outras condições clínicas.
A especialista também reforça a diferença entre os conceitos, frequentemente confundidos. A convulsão é um sintoma, um evento agudo que pode ter múltiplas causas. Já a epilepsia é uma doença neurológica crônica, caracterizada pela recorrência de crises, que podem ou não envolver convulsões visíveis, exigindo diagnóstico e acompanhamento médico contínuo.
O episódio envolvendo Henri Castelli, além de gerar preocupação, contribui para ampliar o debate público, combater estigmas e disseminar informação correta. Estar preparado para agir de forma adequada pode fazer a diferença na proteção da vida e na segurança de quem enfrenta uma crise convulsiva.

