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Debate na Unifase/FMP aproxima a crise climática do cotidiano e reforça impacto do calor extremo na saúde

Com a COP30 em andamento no Brasil e mobilizando lideranças globais em torno da crise climática, instituições acadêmicas também vêm ampliando o debate em nível local. A Unifase/FMP realizou a mesa-redonda “Mudanças climáticas, desenvolvimento urbano e impactos na saúde: uma análise à luz da epidemiologia”, reunindo o geógrafo Felipe Vommaro e o epidemiologista João Henrique Morais, do Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE/RJ). O encontro discutiu como fenômenos extremos — sobretudo ondas de calor — afetam diretamente a população. “É fundamental instrumentalizar os futuros profissionais para lidar com esses desafios”, destacou Norhan Sumar, professor e coordenador da instituição.

O impacto das desigualdades socioambientais surgiu como eixo central da discussão. Vommaro apontou que chuvas intensas e episódios de calor extremo, comuns em municípios serranos como Petrópolis, aumentam riscos de deslizamentos e de doenças como a leptospirose. Dados de um estudo publicado na revista Plos One mostram que, entre 2000 e 2018, as mortes provocadas por calor superaram as causadas por deslizamentos no Brasil. Morais detalhou os efeitos do estresse térmico no organismo, lembrando que o golpe de calor — condição em que a temperatura corporal passa de 40°C — possui alta taxa de letalidade. Ele ressaltou, ainda, que o calor agrava enfermidades pré-existentes, como doenças cardiovasculares e complicações na gestação.

Como resposta às temperaturas extremas, o estado do Rio de Janeiro implementou o Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo, vencedor de um prêmio da Bloomberg Philanthropies em 2025. Elaborado com base em dados do CIE, o plano prevê desde sistemas de alerta até a abertura de pontos de resfriamento para acolher a população em dias críticos. “O calor mata silenciosamente. Precisamos desnaturalizar essa ideia”, alertou Morais. A iniciativa demonstra como políticas públicas baseadas em evidências são essenciais em um contexto de sucessivos recordes de temperatura.

A Unifase/FMP mantém o tema em pauta e já prepara a 4ª Jornada da Virada Climática, marcada para fevereiro de 2026. O evento busca incentivar a produção de conhecimento e soluções acadêmicas para enfrentar os impactos climáticos na saúde, reforçando a importância de abordagens interdisciplinares. Para Sumar, compreender a crise climática exige um olhar ampliado: “Não basta tratar a doença; é preciso entender o contexto social e ambiental que a provoca.” Enquanto a COP30 define metas globais, ações locais como esta mostram que a emergência climática já exige respostas concretas no presente.