Especialista alerta para excesso de atividades na infância e defende equilíbrio entre estímulo e bem-estar
A rotina de muitas crianças tem se tornado cada vez mais intensa. Entre aulas regulares, cursos de idiomas, práticas esportivas, tarefas escolares e compromissos familiares, o tempo livre vem sendo substituído por uma agenda repleta de atividades. Embora motivada pelo desejo dos pais de ampliar oportunidades e estimular o desenvolvimento, essa dinâmica acelerada pode ultrapassar limites importantes para a saúde emocional.
A psicóloga e pedagoga Maísa Colombo, docente da Estácio, destaca que o equilíbrio é essencial no processo de formação infantil. “Tanto a falta quanto o excesso de estímulos podem ser prejudiciais”, afirma. Segundo a especialista, a infância contemporânea tem sido marcada por uma lógica de produtividade precoce, com cobranças constantes por desempenho e participação em múltiplas atividades extracurriculares.
Esse modelo, explica, pode gerar impactos emocionais significativos, contribuindo para a construção de crenças disfuncionais, como a ideia de que a criança só será valorizada apenas pelo desempenho. À luz da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), ambientes excessivamente exigentes comprometem a capacidade de autorregulação desde os primeiros anos de vida.
Os sinais de sobrecarga nem sempre são facilmente identificados. Irritabilidade frequente, ansiedade elevada, choro recorrente, dificuldade de concentração, alterações no sono, dores físicas sem causa orgânica, perfeccionismo precoce e desmotivação estão entre os principais alertas. Com o passar do tempo, os efeitos podem se intensificar, afetando a atenção, o processo de aprendizagem e aumentando o risco de transtornos de ansiedade, além de quedas no rendimento escolar e comportamentos de oposição.
Para enfrentar esse cenário, a especialista defende que o tempo livre seja valorizado como parte fundamental do desenvolvimento infantil. O chamado “tédio saudável” estimula a criatividade, a autonomia e a imaginação. Entre as recomendações estão a redução do número de atividades extracurriculares, a garantia de períodos de descanso e brincadeiras espontâneas e a priorização do bem-estar emocional em relação ao desempenho.
Quando sintomas como ansiedade persistente, regressões comportamentais, isolamento social ou sofrimento emocional se tornam recorrentes, a busca por orientação profissional é indicada. Para Maísa Colombo, o desafio contemporâneo é evitar que a infância seja conduzida exclusivamente por metas e resultados. O desenvolvimento saudável, conclui, depende de tempo, afeto, segurança e liberdade para brincar.

