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Estudo aponta desperdício de R$ 2,6 bilhões em recicláveis descartados no Rio de Janeiro

O estado do Rio de Janeiro envia para aterros, anualmente, cerca de 2,5 milhões de toneladas de resíduos pós-consumo com potencial de reciclagem. A estimativa consta no Mapeamento de Recicláveis Pós-Consumo 2025, divulgado pela Firjan, e revela um cenário de perdas econômicas e ambientais. Avaliados em R$ 2,6 bilhões, esses materiais poderiam retornar à cadeia produtiva e, se reciclados, evitariam a emissão de 3 milhões de toneladas de carbono. O volume corresponde ao equivalente ao sequestro realizado por 21 milhões de árvores em uma área semelhante ao município de Niterói.

O levantamento reforça a urgência de políticas públicas voltadas à economia circular. Atualmente, o setor de resíduos sólidos é o segundo maior emissor de gases de efeito estufa no estado, respondendo por 17,6% das emissões totais, que chegaram a 12 milhões de toneladas em 2023. A reciclagem de materiais como papel, vidro, plástico e metais reduziria tanto as emissões oriundas da decomposição em aterros quanto o consumo de energia na produção de matérias-primas novas.

Segundo Jorge Peron Mendes, gerente de Sustentabilidade da Firjan, a reciclagem pós-consumo é estratégica para a descarbonização. “A reciclagem pós-consumo é uma aliada poderosa na descarbonização e na geração de empregos”, afirma. Para ampliar esse potencial, o estudo defende a descentralização das estruturas de triagem, aproximando-as dos centros urbanos e reduzindo emissões associadas ao transporte de resíduos. Mendes destaca ainda que, embora a captura de metano em aterros esteja consolidada, a valorização da fração seca é determinante para que o estado avance na redução de emissões.

Além dos benefícios ambientais, o reaproveitamento dos recicláveis fortaleceria a economia fluminense. A reinserção desses materiais no setor produtivo poderia gerar R$ 6 bilhões em investimentos, R$ 11,6 bilhões em renda e cerca de 40,6 mil empregos diretos e indiretos. Os relatórios completos estão disponíveis no Observatório Firjan e reforçam o alerta: enquanto o potencial de reciclagem não é plenamente aproveitado, o Rio de Janeiro segue enterrando recursos e oportunidades de desenvolvimento sustentável.