Falta de posto da PRF na BR-040 expõe vulnerabilidade na subida da serra de Petrópolis
Um dos trechos mais estratégicos da BR-040, na subida da serra de Petrópolis, opera há quase dez anos em condição de fragilidade. O posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), localizado no km 89, foi demolido em 2015 para viabilizar as obras da Nova Subida da Serra, mas a paralisação do projeto, em 2016, deixou um vazio de segurança que persiste até hoje.
A ausência de fiscalização permanente tem reflexos diretos na segurança viária e pública. O trecho registra ocorrências de acidentes e crimes, como o recente caso de uma família de Juiz de Fora vítima de sequestro relâmpago, cujo veículo foi posteriormente utilizado em outro delito durante a descida da serra. Para Cláudio Mohammad, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e líder do Movimento Empresarial Petrópolis 2030, a situação compromete não apenas a mobilidade, mas também a imagem da cidade. Segundo ele, a BR-040 é um dos principais acessos ao município e sua vulnerabilidade impacta moradores, turistas e a economia local.
Diante desse cenário, o movimento empresarial intensificou a articulação junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e à Elovias, nova concessionária da rodovia, para cobrar a reconstrução imediata do posto da PRF. A reivindicação ultrapassa o debate sobre infraestrutura e se insere no campo da segurança pública. Embora Petrópolis figure entre os municípios mais seguros do estado entre aqueles com mais de 100 mil habitantes, a fragilidade em seu principal portal de entrada representa um risco à manutenção desses indicadores.
A cobrança por providências não é recente. Em 2021, o Ministério Público Federal instaurou inquérito e notificou a superintendência da PRF no Rio de Janeiro. Agora, o movimento empresarial detalha as demandas: além da reconstrução da unidade, defende-se a presença de efetivo permanente, o uso de equipamentos modernos, como radares móveis e etilômetros, e a integração com os sistemas de monitoramento urbano.
O debate ganha relevância em um momento estratégico para o desenvolvimento local. Com projetos estruturantes em curso, como a implantação de um polo tecnológico às margens da BR-040 e uma agenda de crescimento até 2030, Petrópolis enfrenta o desafio de conciliar expansão econômica com segurança e infraestrutura adequadas. Para Cláudio Mohammad, o município não pode ter seu principal acesso desprotegido. A pressão agora recai sobre a concessionária e a ANTT, enquanto a sociedade aguarda a retomada de um serviço essencial para a segurança e a fluidez do tráfego.

