Firjan alerta para adiamento do acordo Mercosul–União Europeia e defende retomada do diálogo
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) manifestou preocupação com o adiamento da assinatura do Acordo Comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). A entidade reforça a importância da continuidade do diálogo diplomático e paradiplomático como caminho essencial para viabilizar, no futuro, a consolidação do acordo, considerado estratégico para o desenvolvimento e a competitividade da indústria nacional.
Negociado ao longo de mais de 25 anos, o texto do acordo passou por análises técnicas aprofundadas tanto por países europeus quanto sul-americanos. Entre os principais impactos positivos previstos está a eliminação de tarifas para cerca de 97% das exportações de bens industriais brasileiros destinadas à União Europeia, além de avanços relevantes em temas como redução de barreiras não tarifárias, alinhamento de normas técnicas e adoção de boas práticas voltadas ao desenvolvimento sustentável.
Juntos, Mercosul e União Europeia representam aproximadamente 20% da economia global, com um Produto Interno Bruto combinado estimado em US$ 22 trilhões. Em 2024, o comércio entre o Brasil e o mercado europeu alcançou US$ 95 bilhões, com destaque para setores como Petróleo e Gás, Farmacêutico, Automotivo, Metalmecânico, Siderúrgico e Aeronáutico. No mesmo período, a União Europeia se consolidou como o segundo maior parceiro comercial do estado do Rio de Janeiro, com uma corrente de comércio de US$ 16,1 bilhões.
O acordo contempla pontos centrais para o fortalecimento das relações comerciais, como a redução de tarifas de importação e exportação, a harmonização de normas e a cooperação em áreas estratégicas, incluindo meio ambiente e políticas públicas. Estudos do governo brasileiro indicam que, até 2044, o impacto positivo no PIB nacional pode chegar a R$ 37 bilhões. Já os efeitos sobre a balança comercial estimam ganhos de cerca de R$ 52 bilhões em exportações e R$ 42 bilhões em importações.
Outro efeito relevante esperado é o aumento do fluxo de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, com crescimento estimado em 0,8%, impulsionado pelo ambiente de maior previsibilidade e integração aos mercados internacionais.
Apesar dos desafios ainda existentes para a efetivação do acordo, a Firjan destaca que a mobilização conjunta de representantes do setor público e da iniciativa privada será decisiva para superar os entraves atuais. Para a entidade, a assinatura do acordo Mercosul–União Europeia representa uma oportunidade concreta de promover o desenvolvimento econômico e industrial sob uma lógica de ganhos mútuos para todos os envolvidos.

