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Firjan alerta para riscos de ampliar teto do Santos Dumont e defende fortalecimento do Galeão

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) manifestou preocupação com a possibilidade de ampliação do teto de movimentação de passageiros no Aeroporto Santos Dumont. Em nota oficial, a entidade alertou que a medida pode trazer impactos negativos à economia fluminense e nacional, ao enfraquecer a estratégia de fortalecimento do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), que ainda possui ampla capacidade ociosa. Para a federação, o foco das políticas públicas deve ser o estímulo à logística e à ampliação de voos no Galeão, considerado estratégico para o desenvolvimento do Rio de Janeiro.

Segundo a Firjan, a atual política de limitação de passageiros no Santos Dumont tem apresentado resultados concretos. Desde a adoção do teto anual de 6,5 milhões de passageiros, em dezembro de 2023, o Galeão registrou crescimento expressivo. Entre janeiro e outubro de 2025, o movimento de passageiros aumentou 21,6% em relação ao mesmo período de 2023, enquanto o transporte de cargas avançou 46,3%. Os índices superam a média nacional, que ficou em 12,1% e 13,1%, respectivamente. Para a entidade, os números comprovam que a redistribuição de voos fortaleceu a conectividade internacional do Rio e reposicionou o Galeão como um importante hub aéreo do país.

A federação reconhece a relevância do Santos Dumont para a mobilidade urbana e regional, mas alerta que qualquer mudança em sua capacidade operacional deve ser cuidadosamente avaliada. “A atual configuração trouxe resultados positivos para o estado. Alterá-la sem critérios pode comprometer avanços já conquistados”, destaca a nota. A Firjan defende que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) adote uma política equilibrada, capaz de harmonizar a atuação dos dois aeroportos, evitando concorrência predatória e assegurando benefícios para o turismo, a logística e a economia fluminense.

A posição da entidade encontra respaldo em declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Cláudio Castro e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que se manifestaram favoráveis à manutenção do teto do Santos Dumont como forma de preservar o protagonismo do Galeão. Para a Firjan, o caminho para o desenvolvimento passa pela consolidação do aeroporto internacional como porta de entrada estratégica do país, com investimentos em infraestrutura e estímulos às companhias aéreas.

“O Rio de Janeiro tem todas as condições de se firmar como um grande polo logístico e turístico. Para isso, é fundamental planejamento, coordenação e decisões que fortaleçam — e não fragilizem — esse potencial”, conclui a federação.