Firjan avalia acordo Mercosul–União Europeia como estratégico para competitividade da indústria brasileira
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) acompanha de perto os avanços na implementação do Acordo Comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) e destaca a aprovação provisória ocorrida no último dia 9, em Bruxelas, pelo Conselho da União Europeia, como um marco relevante para a inserção internacional do Brasil. Para a entidade, o momento é estratégico e pode representar um impulso decisivo à competitividade da indústria nacional.
Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e pelo recrudescimento de barreiras comerciais, a consolidação do acordo é vista como um contraponto positivo, capaz de ampliar e diversificar as relações econômicas entre os dois blocos. A expectativa é de que a maior integração resulte em expansão do fluxo comercial, atração de investimentos e estímulo ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) industrial brasileiro.
A dimensão da oportunidade é expressiva. Mercosul e União Europeia, juntos, respondem por cerca de 20% da economia mundial, somando aproximadamente US$ 22 trilhões. Em 2024, o comércio entre Brasil e Europa alcançou US$ 95 bilhões, com destaque para setores como Petróleo e Gás, Farmacêutico, Automotivo e Siderúrgico. No caso do Rio de Janeiro, o bloco europeu foi o segundo maior parceiro comercial, com fluxo de US$ 16,1 bilhões no período.
De acordo com projeções do governo brasileiro, o acordo poderá adicionar R$ 37 bilhões ao PIB nacional até 2044. Na balança comercial, a estimativa é de um acréscimo de R$ 52 bilhões em exportações e R$ 42 bilhões em importações, além de um aumento de 0,8% nos investimentos estrangeiros diretos no país.
O texto do acordo prevê a redução progressiva de tarifas para 95% dos produtos exportados pelo Mercosul à União Europeia, com isenção imediata ou prazos de 4 a 12 anos. Em contrapartida, 91% das linhas tarifárias para produtos europeus serão liberalizadas de forma gradual no mercado sul-americano, com períodos mais longos para setores considerados sensíveis, como o automotivo, especialmente em novas tecnologias.
Além da agenda tarifária, o acordo avança na harmonização de normas técnicas, na redução de barreiras não tarifárias e no estímulo a práticas sustentáveis. A Firjan reforça que seguirá acompanhando atentamente as próximas etapas de implementação, com o objetivo de fortalecer a competitividade da indústria fluminense e ampliar sua presença nos mercados internacionais.

