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FLIM celebra samba, memória em noite marcada por homenagens e debates culturais

A programação da FLIM – Festa Literária de Maricá seguiu em ritmo de celebração e reflexão, destacando o papel do samba, da literatura e da memória coletiva na construção da identidade cultural brasileira.

“O samba é memória, celebração e resistência. Dá sentido à nossa existência coletiva. Não sei se o Rio de Janeiro criou o samba, mas afirmo: foi o samba que criou a cidade do Rio de Janeiro”, afirmou o historiador Luiz Antônio Simas, ressaltando a força desse patrimônio cultural.

Também historiador, Thiago Gomide reforçou a dimensão social do carnaval. “O Carnaval é mais do que festa. É memória, identidade e resistência cultural, e nos ensina que alegria também é uma forma de organização social e política. Ele molda espaços, cria símbolos e constrói identidades ajudando a unir bairros, cidades e pessoas em torno de uma tradição comum”, destacou.

À noite, o grande destaque literário ficou por conta da Mesa 10 – Escrevivências, mediada pela jornalista e escritora Flávia Oliveira. O encontro teve como convidada especial a homenageada da festa, Conceição Evaristo, que recebeu cartazes, flores e uma colcha de retalhos com pinturas e bordados feitos pelas alunas da Escola do Idoso de Maricá.

A mesa reuniu ainda a educadora Bárbara Carine, fundadora da primeira escola afro-brasileira do país, além dos escritores Jeferson Tenório e Eliana Alves Cruz, discutindo temas como afrodescendência, reconstrução histórica, projetos pedagógicos e o futuro da literatura brasileira.

A música também esteve presente com o ‘Samba Talk’, em homenagem a Arlindo Cruz, conduzido por Maurício Pacheco e com a participação do compositor e sambista Sombrinha e do cantor Inácio Rios. “Relembrar diversas obras de Arlindo Cruz é algo único. Eu conversava muito com Almir Guineto e falava que o samba cura. Então, relembrar canções e momentos da vida de Arlindo no dia do aniversário dele é um sentimento gostoso e ajuda na cura da saudade”, afirmou Sombrinha.

A noite reforçou a pluralidade da FLIM, que une literatura, música e memória coletiva como pilares de resistência, identidade e celebração cultural.