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FLIS 2025 promove literatura, diversidade e sustentabilidade em Saquarema

A quarta edição da Feira Literária Internacional de Saquarema (FLIS) acontece até 20 de novembro, no Campo de Aviação, com uma programação que dialoga diretamente com os temas em debate na COP30, realizada simultaneamente no Pará. Sob o mote “Ler é abrir-se para o mundo”, o evento destaca obras e autores que tratam de educação sustentável, justiça social e pluralidade cultural. Entre os convidados estão Itamar Vieira Junior, Conceição Evaristo, José Eduardo Agualusa e Eliane Potiguara, primeira escritora indígena publicada no país.

A agenda conta com debates que aproximam literatura e território social. Nesta terça-feira, Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado e do recém-lançado Coração sem Medo, participa de uma conversa com Jessé Andarilho, idealizador da Biblioteca Marginow, sobre o papel da escrita na denúncia de desigualdades e na afirmação de identidades. Na quarta-feira, Eliane Potiguara divide mesa com a escritora e geógrafa Márcia Kambeba em um diálogo dedicado aos saberes indígenas e à resistência cultural, sob o título “Poesia é Terra Viva”.

A sustentabilidade está no centro da feira, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente o ODS 13, que trata da conscientização sobre mudanças climáticas. A homenageada desta edição é Bia Bedran, referência na literatura e na música infantil, cujas obras abordam temas ambientais. A programação cultural inclui ainda apresentações de Lenine, Leoni e Toni Garrido.

A participação infantil tem espaço de destaque com o projeto Escola que Lê, que aproxima autores e estudantes da rede municipal. Entre os convidados estão Tiago Hakiy, escritor indígena Sateré-Mawé, e Eliana Alves Cruz, autora de O Crime do Cais do Valongo. As crianças também recebem vale-livros no valor de R$ 250 para incentivar a formação de novos leitores.

No dia 20 de novembro, data do encerramento e do Dia da Consciência Negra, a programação volta-se à valorização da cultura afro-brasileira, com debates que incluem a participação do Instituto Pretos Novos e do escritor guineense Eliseu Banori. Antes disso, na quinta-feira, Conceição Evaristo e MV Bill discutem “Trajetos de Escrevivência”, destacando a escrita como instrumento de transformação social. Com entrada gratuita, a FLIS reafirma seu papel como espaço de reflexão crítica, diversidade e promoção do acesso à literatura.