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Mais de 1.500 internações por apneia do sono reforçam alerta sobre saúde no Rio de Janeiro

Dados recentes revelam a dimensão de um problema que atinge milhões de brasileiros: os distúrbios do sono. Segundo levantamentos nacionais, mais de um terço da população enfrenta dificuldades relacionadas ao descanso noturno, o que representa um impacto significativo na qualidade de vida e na saúde pública. No Rio de Janeiro, entre 2018 e 2022, foram registradas mais de 1.500 internações por apneia do sono, sendo 305 apenas em 2022, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde.

A busca por diagnóstico tem levado hospitais públicos e privados a ampliarem a oferta de exames como a polissonografia, capaz de identificar problemas muitas vezes imperceptíveis ao paciente. O cardiologista e clínico geral Aloísio Barbosa Filho destaca que o corpo dá sinais claros de alerta. “Sonolência excessiva durante o dia, dificuldade de concentração, dores de cabeça ao acordar, despertares noturnos frequentes ou sensação de sufocamento, irritabilidade e queda no rendimento físico e mental são sintomas que não podem ser ignorados”, ressalta.

A polissonografia é considerada essencial para a investigação precisa. O exame monitora parâmetros como batimentos cardíacos, oxigenação do sangue, movimentos respiratórios e até a intensidade do ronco. “Muitos pacientes relatam apenas que dormem mal, mas o exame consegue revelar distúrbios ocultos, como apneia do sono, arritmias e quedas na saturação de oxigênio”, explica o especialista.

As consequências vão muito além do cansaço. Distúrbios do sono, especialmente a apneia, elevam o risco de hipertensão, infarto, AVC e insuficiência cardíaca. “Um sono ruim sobrecarrega o organismo, aumenta a pressão arterial, favorece inflamações nos vasos e pode desencadear arritmias. Dormir bem é tão essencial para o coração quanto manter uma alimentação equilibrada ou praticar exercícios”, alerta Dr. Aloísio.

Sintomas aparentemente banais, como ronco e sensação de cansaço ao despertar, merecem atenção médica. “O ronco pode ser o primeiro indício de apneia obstrutiva do sono. Já acordar cansado não é normal. Isso indica que o corpo não conseguiu se recuperar durante a noite, como se nunca recarregasse as baterias”, compara.

No interior do estado, o médico já disponibiliza a polissonografia em seus atendimentos, ampliando o acesso da população ao diagnóstico. Ele reforça que os impactos de negligenciar o sono são graves: “A longo prazo, há maior risco de hipertensão, obesidade, diabetes, depressão, perda de memória e problemas cardiovasculares severos”.

Dr. Aloísio conclui com um apelo: “O sono não é luxo, é necessidade vital. Cuidar do sono é cuidar do coração, do cérebro e de todo o organismo. Se houver sinais como ronco frequente, pausas na respiração, sonolência diurna ou fadiga persistente, é fundamental procurar avaliação médica. Prevenir é sempre melhor do que tratar”.