Participação feminina na indústria fluminense cresce 70% desde 2020, aponta pesquisa da Firjan
A presença de mulheres na indústria do Rio de Janeiro cresceu 70% desde 2020, segundo a Pesquisa Firjan de Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense, divulgada nesta semana pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O avanço é significativamente superior ao registrado entre os homens, cujo crescimento no mesmo período foi de 34%.
Apesar da evolução, a participação feminina no setor ainda representa 22,3% da força de trabalho industrial em 2025, percentual considerado baixo quando comparado a outros segmentos econômicos. Com isso, a indústria permanece como o segundo setor com maior desigualdade de gênero no estado.
O estudo foi elaborado a partir de levantamento com 130 empresas fluminenses e dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com a pesquisa, o crescimento recente representa um aumento de 3,3% na força de trabalho feminina ao longo da última década. Em 2024, por exemplo, a participação das mulheres era de 21,6%, patamar semelhante ao observado em 2018.
Para o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, os números mostram avanços importantes, mas também evidenciam desafios estruturais.
“As mulheres representam apenas 22,3% da força de trabalho da indústria no Rio de Janeiro, enquanto os homens correspondem a 77,7%. O estudo busca identificar desigualdades persistentes, reconhecer avanços e apontar oportunidades de aprimoramento para construir uma indústria mais competitiva, inovadora e representativa”, afirmou.
A pesquisa revela ainda que as mulheres são maioria em apenas dois dos 33 segmentos industriais analisados. Os setores de vestuário e acessórios, com 66,9% de participação feminina, e de artefatos de couro, artigos de viagem e calçados, com 58,8%, são as únicas áreas onde elas predominam. Em segmentos como cadeias de base, energia, bens duráveis e infraestrutura, a presença feminina ainda é reduzida.
A empresária Carla Pinheiro, presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da Firjan e atuante no setor de joias, destaca que a desigualdade revela barreiras históricas.
“Isso evidencia obstáculos estruturais e culturais à inserção das mulheres em áreas industriais estratégicas. Políticas públicas e iniciativas empresariais voltadas à inclusão feminina são essenciais para promover maior equidade e diversidade no setor”, afirmou.
O levantamento também destaca iniciativas que buscam ampliar a participação feminina na indústria. Entre elas estão o programa Autonomia e Renda, da Petrobras, voltado à qualificação profissional de grupos minoritários; a Escola de Mulheres Eletricistas, da Enel Distribuição Rio, que formou 46 mulheres em 2025 — das quais 78% foram contratadas pela empresa; e o programa Gestão e Governança Corporativa Feminina, desenvolvido pela Firjan IEL em parceria com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).
Outras ações promovidas pelo sistema Firjan SENAI SESI também têm contribuído para ampliar oportunidades em áreas tradicionalmente masculinas. Entre elas estão o curso gratuito de Instalador Hidráulico, realizado pela Iguá Saneamento na zona oeste do Rio, e o projeto Elas Transformam, parceria com a Iconic para formar operadoras de processos petroquímicos na Baixada Fluminense.
Segundo a Firjan, iniciativas desse tipo ajudam a transformar gradualmente o perfil da força de trabalho industrial no estado, abrindo espaço para uma participação feminina mais ampla em setores estratégicos da economia.

