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Saúde Vocal em Risco: Profissionais que Dependem da Voz Precisam Redobrar os Cuidados

No Brasil, profissionais que utilizam a voz como principal ferramenta de trabalho, como professores, cantores, atores, jornalistas, líderes religiosos, operadores de call center e instrutores de academia, compõem um grupo de risco crescente para problemas vocais. O uso intenso e contínuo, aliado a fatores como ruídos ambientais, ausência de pausas e falta de preparo vocal, contribui para o desgaste das cordas vocais e pode provocar lesões, fadiga e até comprometimento definitivo da voz.

De acordo com o otorrinolaringologista Domingos Tsuji, a preocupação não está apenas na frequência do uso da voz, mas também no contexto em que esses profissionais atuam. Ambientes barulhentos, jornadas prolongadas e hábitos inadequados ampliam os riscos e aceleram o desgaste.

Pesquisas apontam números preocupantes: 63% dos professores brasileiros já tiveram algum problema vocal durante a carreira; entre instrutores de academia, o índice chega a 70,9%; 85,6% dos líderes religiosos relatam alterações na voz, e 43% dos operadores de call center apresentam sintomas de sobrecarga vocal. Esses dados reforçam a necessidade de prevenção e atenção aos sinais de alerta, como fadiga, rouquidão persistente e dor na garganta.

Para preservar a saúde vocal, especialistas recomendam cuidados básicos, como manter-se hidratado, realizar pausas regulares, evitar ambientes ruidosos e eliminar hábitos prejudiciais, como cigarro, álcool e pigarrear com frequência. Quando os sintomas persistem por mais de duas semanas, a orientação é procurar um otorrinolaringologista. O tratamento pode envolver fonoterapia, ajustes de hábitos, medicamentos e, em casos mais graves, intervenções cirúrgicas.

Assim como um atleta cuida do corpo e um músico cuida do instrumento, quem depende da voz para trabalhar precisa priorizar a saúde vocal para manter a qualidade, a longevidade e o desempenho profissional.