Secretaria de Saúde de Campos alerta para risco de doenças após alagamentos causados pelas chuvas
As sucessivas chuvas intensas que atingiram Campos dos Goytacazes nos últimos dias deixaram ruas e quintais alagados, mas o maior risco, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, não está apenas nos transtornos visíveis. A água parada e misturada à lama cria um ambiente propício para a transmissão de doenças, com destaque para a leptospirose, considerada a principal ameaça em cenários de enchente.
De acordo com o médico infectologista Rodrigo Carneiro, diretor de Vigilância em Saúde do município, o grande volume de chuva favorece o acúmulo de água contaminada, geralmente associada à presença de roedores. “Essas águas empoçadas facilitam a transmissão de doenças, especialmente a leptospirose, que é causada pelo contato com a urina de ratos”, explica.
A infecção pode ocorrer mesmo sem ferimentos aparentes, por meio da exposição prolongada da pele à água contaminada. Por isso, a orientação é evitar ao máximo o contato com áreas alagadas. Nos casos em que isso não for possível, a recomendação é realizar uma higienização cuidadosa assim que a pessoa retornar para casa. “A transmissão acontece, principalmente, por pequenas lesões na pele. Após o contato com água de enchente, o ideal é lavar bem o corpo com água e sabão”, orienta o infectologista.
Outro risco associado às enchentes é a hepatite A, transmitida por água contaminada. O alerta é direcionado, sobretudo, às famílias com crianças que ainda não completaram o esquema vacinal. Segundo Carneiro, sintomas como febre, diarreia, dor abdominal, náuseas e vômitos devem ser observados com atenção. “Se esses sinais persistirem por mais de 24 a 48 horas, é fundamental procurar uma unidade de saúde e informar o contato prévio com água de enchente”, destaca.
Os cuidados também devem incluir os animais domésticos. Cães e gatos expostos à água contaminada podem adoecer e, indiretamente, representar risco aos tutores. O especialista esclarece que não há indicação de medicação preventiva para os pets, mas a observação é essencial. “Caso o cuidador apresente sintomas como febre ou mal-estar e tenha tido contato com um animal que apresentou quadro febril ou hemorrágico, essa informação deve ser relatada ao médico”, ressalta.
Como medida preventiva, a Secretaria Municipal de Saúde reforça a importância de evitar o contato com águas de enchente, manter quintais e terrenos limpos, eliminar pontos de acúmulo de água e realizar o descarte correto do lixo, reduzindo a presença de roedores.
A recomendação final é de vigilância constante sobre a própria saúde. Diante de sintomas como febre, dores musculares ou mal-estar após exposição a áreas alagadas, a procura por atendimento médico deve ser imediata. A prevenção e a informação continuam sendo as principais aliadas para reduzir os impactos das doenças associadas às enchentes.

