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Sobre quatro rodas, Yohan transforma corredores de unidade de saúde em espaço de superação em Nova Iguaçu

Aos cinco anos, Yohan já chama a atenção de quem circula pelo Centro de Atenção em Saúde Funcional Ramon Pereira de Freitas (CASF), em Nova Iguaçu. Não pelos passos apressados, mas pela habilidade com que percorre os corredores sobre um skate, que se tornou símbolo de autonomia e liberdade. Nascido com síndrome da regressão caudal — condição rara que impede o movimento das pernas —, o menino encontrou no esporte muito mais do que uma forma de locomoção: descobriu independência, alegria e um novo jeito de se relacionar com o mundo.

A relação de Yohan com o skate começou cedo, aos dois anos, durante um passeio com a família na Quinta da Boa Vista. Encantado ao ver outra criança manobrando, ele adotou a prancha como companheira inseparável, a ponto de deixar de lado a cadeira de rodas. Atualmente, além do skate, o menino mantém uma rotina de cuidados no CASF, com fisioterapia aquática e acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, que contribui para seu desenvolvimento físico e emocional.

Para a mãe, Tatiana, o skate representa muito mais do que mobilidade. “Hoje ele está mais independente, e isso era tudo que a gente queria”, afirma. Segundo ela, a prancha virou um instrumento de empoderamento para o filho, ajudando a fortalecer sua autoestima e a forma como ele se enxerga. A família vê na trajetória de Yohan uma prova de resiliência e de que limitações físicas não definem o potencial de uma criança.

O impacto do pequeno skatista, no entanto, vai além da própria evolução. No CASF, Yohan se tornou fonte de inspiração para outros pacientes. Rogério Ramos, de 53 anos, que perdeu uma perna em decorrência de complicações da diabetes, relata que o menino transforma o ambiente. “Tem dias difíceis, mas quando ele passa com o skate, sorrindo, muda tudo”, conta. Profissionais da unidade também reconhecem essa influência positiva, destacando que a presença de Yohan motiva pacientes e equipes.

Referência em reabilitação na Baixada Fluminense, o CASF realiza mais de 6 mil atendimentos por mês, oferecendo serviços que vão da fisioterapia ao apoio psicológico, além de oficina ortopédica para produção de órteses e próteses. Histórias como a de Yohan ilustram o papel fundamental das políticas públicas de saúde na promoção da inclusão e da qualidade de vida. Ao deslizar com destreza pelos corredores da unidade, o menino não apenas supera barreiras físicas, mas também ajuda a ressignificar conceitos sobre deficiência, mostrando que autonomia e alegria podem ser construídas de muitas formas.