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Vírus Nipah volta a preocupar autoridades de saúde após novos casos na Índia

Um vírus discreto, mas de alto potencial letal, voltou a acender o sinal de alerta na saúde global. A confirmação de dois novos casos na Índia recolocou o vírus Nipah no centro das atenções, reacendendo preocupações sobre uma das ameaças zoonóticas mais perigosas da atualidade. Embora pouco conhecido do grande público, o patógeno pode apresentar taxas de letalidade que chegam a 75% e ainda não possui vacina ou tratamento específico.

Identificado pela primeira vez em 1998, o Nipah permanece como um desafio para os sistemas de saúde, que dependem basicamente de medidas de suporte clínico, vigilância epidemiológica e controle rigoroso de surtos. Sua reemergência evidencia a vulnerabilidade global diante de vírus capazes de permanecer latentes na natureza e ressurgir em contextos imprevisíveis.

A transmissão do vírus está associada principalmente aos morcegos frugívoros, considerados seu reservatório natural. A infecção humana ocorre, sobretudo, pelo consumo de alimentos contaminados por saliva ou urina desses animais, como frutas ou seiva de palma crua. “Uma vez transmitido aos humanos, o vírus se torna ainda mais perigoso, pois pode se espalhar por meio do contato direto com secreções respiratórias ou fluidos corporais de pessoas infectadas”, explica a doutora Alice Del Colletto, coordenadora de Biomedicina da Estácio.

Os primeiros sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa e vômitos, manifestações que podem ser confundidas com outras enfermidades comuns. O quadro, no entanto, pode evoluir rapidamente para complicações neurológicas graves. “Em poucos dias, a doença pode progredir para confusão mental, sonolência, convulsões e encefalite aguda, frequentemente levando ao coma e ao óbito”, alerta a especialista.

Apesar de especialistas considerarem baixo o risco de uma pandemia, devido à limitada capacidade de transmissão entre humanos, o episódio reforça a necessidade de vigilância permanente. “O monitoramento contínuo é fundamental, especialmente em regiões endêmicas da Ásia. Cada surto representa uma oportunidade de adaptação do vírus, e a prevenção depende de atenção constante”, conclui Del Colletto.