Acidentes de moto disparam e sobrecarregam hospital em Nova Iguaçu
O número de vítimas de acidentes com motocicletas atendidas no Hospital Geral de Nova Iguaçu acendeu um alerta no início de 2026. Apenas nos meses de janeiro e fevereiro, a unidade registrou 1.101 atendimentos — uma média de 19 casos por dia, praticamente um por hora.
O volume já supera os registros do mesmo período em anos anteriores. Em 2024, foram 613 atendimentos, e em 2025, 485. Somados, os dois anos chegam a 1.098 casos — ainda abaixo do total registrado apenas nos primeiros dois meses de 2026.
O pico foi em janeiro, com 592 atendimentos, o maior número mensal já registrado pelo hospital. Em fevereiro, outros 509 casos foram contabilizados, consolidando a tendência de alta.
Os dados reforçam o crescimento contínuo. Em 2024, o HGNI realizou 3.329 atendimentos a vítimas de acidentes de moto. Já em 2025, o número subiu para 3.780 — um aumento de 13,5%.
Para o secretário de Saúde de Nova Iguaçu, Luiz Carlos Nobre Cavalcanti, o cenário preocupa pelo impacto direto no sistema público. Segundo ele, esse tipo de ocorrência exige estrutura complexa, com equipes multiprofissionais, cirurgias e internações, além de envolver, em grande parte, casos evitáveis.
No Centro de Trauma da unidade, a predominância é clara: sete em cada dez pacientes atendidos são motociclistas. O diretor-geral do hospital, Ulisses Melo, destaca que as consequências vão além do atendimento emergencial, com muitos pacientes enfrentando sequelas permanentes e longos processos de reabilitação.
O aumento da circulação de motos, impulsionado principalmente por serviços de entrega e transporte por aplicativo, é apontado como um dos fatores para a alta nos acidentes. A pressa e o comportamento de risco no trânsito agravam ainda mais o cenário.
Especialistas indicam que a combinação de infraestrutura viária precária, fiscalização insuficiente e imprudência contribui para a escalada dos números. Diante disso, a Secretaria de Saúde reforça a necessidade de campanhas educativas e medidas preventivas, como o uso de equipamentos de proteção e o respeito às leis de trânsito.
O cenário na Baixada Fluminense evidencia um problema que vai além das estatísticas: trata-se de uma questão de saúde pública, com impacto direto na rede hospitalar e na vida de centenas de famílias.

