Artesanato ganha espaço como ferramenta de inclusão e desenvolvimento em Campos
O artesanato vem ocupando um espaço cada vez maior na economia de Campos dos Goytacazes, não apenas como atividade de geração de renda, mas também como instrumento de inclusão social e valorização da identidade cultural. Por meio da Gerência de Economia Solidária, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, a Prefeitura tem ampliado iniciativas voltadas ao fortalecimento da economia criativa e ao reconhecimento dos profissionais do setor.
Entre as histórias que representam esse movimento está a da ceramista e educadora social Euzi de Sousa Licasalio. Sua relação com a cerâmica começou em 2002, quando participou de um programa social de qualificação profissional destinado a mulheres que estavam afastadas do mercado de trabalho.
A partir dessa experiência, Euzi ingressou no projeto de Arte Cerâmica da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). No espaço, aprimorou seus conhecimentos e atuou em diferentes funções, como bolsista, professora e voluntária. A experiência fez dela uma das pioneiras no ensino da cerâmica artística em Campos.
Da capacitação ao próprio ateliê
Mesmo diante das dificuldades encontradas ao longo da trajetória e da desistência de algumas colegas que iniciaram o mesmo caminho, Euzi decidiu continuar investindo na atividade. Com o tempo, montou o próprio ateliê e passou a conquistar reconhecimento pelo trabalho desenvolvido.
Entre as conquistas está o primeiro lugar na Lei Aldir Blanc, na categoria Artesanato e Cultura. A ceramista também participou da Feira Nacional de Artesanato, em Belo Horizonte, e passou a integrar lojas colaborativas no Rio de Janeiro.
Para Euzi, as parcerias estabelecidas com o poder público e com o Sebrae tiveram papel importante nesse processo de crescimento e profissionalização.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Felipe Knust, destaca que ampliar a visibilidade dos profissionais do artesanato é uma forma de criar novas oportunidades de empreendedorismo cultural e aproximar os produtores locais de redes de comércio e exposição em outras regiões.
Segundo o secretário, a administração municipal reconhece o potencial da economia criativa para contribuir com a geração de emprego e renda em Campos.
Carteira Municipal amplia benefícios para trabalhadores
As ações de incentivo ao setor ganharam um novo instrumento com a criação da Carteira Municipal da Economia Solidária. Instituída pelo Decreto nº 302, publicado no Diário Oficial em 25 de agosto, a iniciativa prevê uma série de benefícios para os trabalhadores cadastrados.
Entre as possibilidades estão descontos em estabelecimentos parceiros, participação em feiras, exposições e eventos apoiados pela Prefeitura, além de capacitação, assistência técnica e ações de fomento.
A carteira será organizada em cinco categorias: artesanato; gastronomia artesanal; agricultura familiar e agroecologia; pesca artesanal; e catadores e sustentabilidade. O primeiro lote dos documentos será entregue nesta segunda-feira (28).
Município também cria sistema de informações
Outra iniciativa é a criação do Sistema Municipal de Informações da Economia Solidária (Simesol). A ferramenta terá a função de reunir informações sobre trabalhadores e empreendimentos do setor, produzir indicadores e contribuir para o planejamento das políticas públicas voltadas à economia solidária.
Para o gerente de Economia Solidária, Pedro Barcelos, as medidas contribuem para reconhecer os profissionais do segmento não apenas como produtores de peças e serviços, mas como trabalhadores que movimentam renda e participam do desenvolvimento econômico e cultural do município.
A proposta é fortalecer uma economia criativa vinculada à identidade de Campos e ampliar as oportunidades para quem encontra no artesanato uma alternativa de trabalho, empreendedorismo e transformação social.

