Campos amplia acesso de comunidades quilombolas à saúde especializada com telemedicina
A Secretaria Municipal de Saúde de Campos dos Goytacazes, por meio da Subsecretaria de Atenção Primária à Saúde, tem ampliado o acesso da população quilombola a atendimentos especializados com a implantação do serviço de telemedicina em Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF). A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Faculdade de Medicina e o Centro de Saúde Escola de Custodópolis (CSEC).
O projeto garante acompanhamento especializado a moradores de comunidades tradicionais que enfrentam dificuldades de deslocamento e outras barreiras de acesso aos serviços de saúde, promovendo maior equidade no atendimento dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
Implantado em setembro de 2025, o serviço teve início na UBSF de Conceição do Imbé, que atende as comunidades quilombolas de Aleluia, Cambucá e Batatal. Posteriormente, a telemedicina também foi implementada na UBSF Quilombo, responsável pelo atendimento aos quilombos de Lagoa Feia e Sossego. Com isso, praticamente todas as comunidades quilombolas do município foram contempladas, restando apenas o quilombo urbano de Custodópolis, que deve ser incluído em uma próxima etapa do projeto.
A subsecretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Carolina Xavier, destacou que a parceria com instituições de ensino contribui tanto para a ampliação do acesso quanto para a formação de profissionais mais preparados para atuar no SUS.
“Essa parceria amplia o acesso da população aos serviços de saúde e também fortalece a formação de profissionais mais comprometidos com os princípios do SUS, e capazes de compreender que o processo de saúde e adoecimento não pode ser analisado apenas pela perspectiva biológica. Quando aproximamos os estudantes da realidade dos territórios e das comunidades historicamente invisibilizadas, promovemos uma formação mais humana, crítica e voltada para a garantia da equidade”, afirmou.
A coordenadora do Programa de Assistência aos Assentados e Quilombolas (PAAQ), Esthefany Francisco, ressaltou que a telemedicina tem contribuído para reduzir desigualdades no acesso à saúde especializada, especialmente em regiões com barreiras geográficas e sociais.
Segundo ela, os atendimentos são voltados principalmente para pacientes com diabetes, hipertensão e transtornos psiquiátricos, com acompanhamento de especialistas como cardiologistas, endocrinologistas e psiquiatras.
“Muitos pacientes têm dificuldade de se deslocar até o centro da cidade, seja pela distância ou pela própria condição clínica. A telemedicina vem justamente rompendo essas barreiras de acesso e oferecendo um cuidado especializado dentro da própria comunidade”, explicou.
Esthefany destacou ainda que o Programa de Assistência aos Assentados e Quilombolas (PAAQ) busca ampliar o olhar da Atenção Primária para as comunidades tradicionais do município, priorizando o atendimento de grupos mais vulneráveis.
“Quando surge uma nova especialidade ou um novo serviço, buscamos priorizar os quilombos, os assentamentos e as populações mais vulneráveis. É uma forma de fortalecer o SUS garantindo mais acesso para quem mais precisa, considerando não apenas a doença, mas também as questões sociais e raciais que impactam diretamente a saúde dessa população”, afirmou.
A organização dos atendimentos é realizada pelas equipes das UBSFs, que fazem a triagem dos pacientes e encaminham os casos mais complexos para teleinterconsultas com especialistas do CSEC. O acompanhamento contínuo permite identificar prioridades e garantir maior eficiência no cuidado.
Atualmente, a telemedicina é realizada duas vezes por mês, com atendimentos em Conceição do Imbé e na UBSF Quilombo, assegurando acompanhamento regular às comunidades atendidas.
A iniciativa reforça o compromisso do município com a ampliação do acesso à saúde, a redução de desigualdades históricas e o fortalecimento da atenção primária como porta de entrada qualificada e humanizada no sistema público de saúde.

