Captação de múltiplos órgãos em Maricá leva esperança a pacientes na fila de transplantes
Um gesto de solidariedade transformou um momento de profunda dor em esperança para pacientes que aguardam por um transplante. O Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, em Maricá, realizou na última segunda-feira uma captação múltipla de órgãos e tecidos que possibilitará novas chances de vida para pessoas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A doação foi autorizada pela família de uma jovem paciente após um cuidadoso processo de acolhimento e orientação conduzido pela equipe especializada da unidade.
Foram captados o coração, fígado, rins, córneas e tecido musculoesquelético. Seguindo a logística coordenada pelos sistemas estadual e nacional de transplantes, o coração foi encaminhado para um paciente em Minas Gerais, enquanto os demais órgãos e tecidos permaneceram no Estado do Rio de Janeiro, destinados a receptores compatíveis inscritos na fila única do SUS.
A operação evidencia a eficiência da integração entre o Hospital Dr. Ernesto Che Guevara e as Centrais de Transplantes, responsáveis por coordenar todo o processo para que os órgãos sejam transportados e transplantados dentro do tempo adequado. Uma única doação pode beneficiar diversas pessoas e, no caso das córneas, devolver a visão a dois pacientes diferentes.
O secretário municipal de Saúde, Dr. Marcelo Velho, ressaltou o significado da decisão tomada pela família da doadora.
“Em um momento de dor, a decisão da família pela doação representa um ato de generosidade e amor ao próximo. Cada captação realizada pode significar uma nova chance de vida para pessoas que aguardam por um transplante. Nosso reconhecimento e respeito aos familiares, que permitiram que esse gesto se transformasse em esperança para outros pacientes”, afirmou.
A diretora do hospital, Dra. Ana Paula Silva, também destacou o trabalho das equipes envolvidas e a importância da atuação humanizada durante todas as etapas do processo.
“É um gesto que nos motiva a seguir avançando, com responsabilidade, ética e cuidado, em cada etapa desse processo tão sensível. Nosso reconhecimento também às equipes assistenciais e à CIHDOTT, que atuam com dedicação e excelência, fortalecendo o compromisso do Hospital Che Guevara com a vida e com o SUS”, declarou.
Todo o processo é coordenado pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), responsável por identificar potenciais doadores, acompanhar rigorosamente os protocolos técnicos e legais, prestar acolhimento às famílias e articular a captação com a Central Estadual de Transplantes.
A Secretaria de Saúde reforça ainda a importância de que as pessoas manifestem, ainda em vida, o desejo de serem doadoras de órgãos. Embora não seja necessário registrar essa intenção em documento oficial, a autorização final depende da família, tornando essencial que essa vontade seja compartilhada previamente com os parentes.
Com esse ato de solidariedade, a jovem doadora e sua família deixam um legado que ultrapassa a perda e se transforma em esperança para pacientes que aguardam por uma nova oportunidade de viver, reafirmando a relevância da doação de órgãos como uma das mais importantes ações de solidariedade promovidas pelo SUS.

