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Decisão em meio à dor viabiliza primeira captação de coração de 2026 no HGNI

Uma escolha marcada pela dor e pela generosidade permitiu a realização da primeira captação de coração de 2026 no Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI), na Baixada Fluminense. O doador, um jovem de 26 anos vítima de atropelamento com morte encefálica confirmada, teve a doação de múltiplos órgãos autorizada pela família — um gesto que pode salvar até sete vidas. Além do coração, foram captados fígado, rins, pâncreas e córneas, em uma operação que exigiu rapidez, precisão e integração entre equipes médicas, já que o transplante cardíaco precisa ocorrer em até quatro horas.

A complexidade do procedimento mobilizou profissionais da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) e do RJ Transplantes, responsáveis por toda a logística e articulação necessária. Em reconhecimento à atitude da família, o hospital promoveu uma homenagem simbólica com um corredor humano formado por profissionais de saúde, destacando o respeito e a gratidão pelo gesto de solidariedade.

Apesar do caso bem-sucedido, os dados recentes acendem um alerta. O número de notificações de potenciais doadores no HGNI se manteve estável no primeiro trimestre em comparação com 2025, com 18 registros em ambos os períodos. No entanto, houve queda nas autorizações familiares, que passaram de nove para sete, e nas doações efetivadas, de oito para cinco — uma redução de 37,5%. O cenário reforça a importância do diálogo sobre o tema, já que a autorização da família é indispensável para que o processo de doação seja concretizado.

O secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Nobre Cavalcanti, destacou a relevância da conscientização. Segundo ele, embora a decisão seja extremamente difícil em um momento de luto, a doação de órgãos representa uma oportunidade de salvar vidas e precisa ser discutida previamente entre familiares.

No hospital, o processo é conduzido pela CIHDOTT, que atua desde a identificação de possíveis doadores até o acolhimento das famílias e a organização da captação. Após a autorização, o RJ Transplantes coordena o envio das equipes cirúrgicas, e os órgãos são destinados a pacientes cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes, respeitando critérios técnicos e a fila única nacional.

O caso evidencia o papel decisivo da família no processo de doação e reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre o tema. Em meio à dor, a decisão tomada transformou perdas em esperança, oferecendo uma nova chance a quem aguarda por um transplante.