Dragagem do Canal de São Lourenço impulsiona retomada da indústria naval e da economia azul em Niterói
Obra de R$ 162,6 milhões entra na fase final, permitirá a operação de navios de maior porte e deve gerar empregos, atrair investimentos e fortalecer os setores portuário, offshore e pesqueiro no município.
A dragagem do Canal de São Lourenço, em Niterói, entrou na fase final e promete marcar uma nova etapa para o desenvolvimento econômico da cidade. Considerada a maior intervenção de infraestrutura logística do município nas últimas décadas, a obra permitirá a navegação de embarcações de maior porte, ampliará a competitividade do setor marítimo e impulsionará a retomada da indústria naval, da atividade portuária e da chamada economia azul.
Durante reunião realizada nesta semana com representantes do cluster naval e offshore, estaleiros, empresas de apoio marítimo, setor portuário e segmentos ligados ao petróleo e gás, o prefeito Rodrigo Neves anunciou que a Prefeitura já prepara uma segunda etapa de intervenções. Novos estudos técnicos serão realizados para ampliar ainda mais a capacidade de circulação de embarcações no complexo marítimo de Niterói.
A obra recebe investimento de R$ 162,6 milhões e ampliará a profundidade do Canal de São Lourenço de sete para onze metros, eliminando uma das principais limitações operacionais da região. Embora a dragagem seja uma atribuição do Governo Federal, a Prefeitura teve papel decisivo para viabilizar o empreendimento ao financiar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), com investimento de R$ 772 mil, etapa indispensável para o licenciamento ambiental.
Os estudos envolveram análises da qualidade da água, características do solo, impactos sobre a fauna marinha, ruídos subaquáticos e a realização de audiências públicas, garantindo o cumprimento das exigências ambientais para a execução da obra.
Segundo o prefeito Rodrigo Neves, o projeto representa um passo importante para reconstruir uma cadeia produtiva que foi uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento econômico de Niterói durante décadas.
“Desde o início do meu primeiro mandato, passamos a estudar a viabilidade dessa intervenção, essencial para permitir a entrada de navios de maior porte e destravar a atividade portuária e naval da cidade. Estamos criando as condições para recuperar uma cadeia histórica que envolve a indústria naval, os estaleiros e também a atividade pesqueira, com a reativação do entreposto de pesca e a requalificação do entorno da Ilha da Conceição”, afirmou.
Além de fortalecer o setor naval, a dragagem também beneficiará diretamente a pesca, a logística portuária e as operações de apoio offshore, ampliando a capacidade de movimentação de cargas e atraindo novos investimentos para o município.
O secretário executivo de Niterói, Felipe Peixoto, destacou que a economia do mar é uma das prioridades da administração municipal.
“Estamos investindo recursos da Prefeitura porque a economia do mar é uma estratégia de desenvolvimento para Niterói. A dragagem é fundamental para fortalecer setores como indústria naval, atividade portuária, pesca e apoio offshore, gerando emprego, renda e novas oportunidades”, ressaltou.
Já o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Luiz Paulino Moreira Leite, afirmou que o município assumiu protagonismo diante da crise enfrentada pelo setor naval.
“O município decidiu liderar esse esforço diante da crise do setor. Hoje estamos próximos de concretizar uma obra que pode mudar a base econômica da cidade. Podemos dizer que fizemos a estrada; agora vamos fazer novas ruas”, declarou.
O avanço da obra também foi comemorado por representantes da indústria. O presidente da RJ Metal e vice-presidente do Conselho Regional Leste Fluminense da Firjan, Marcius Ferrari Duarte de Oliveira, afirmou que a dragagem representa uma antiga reivindicação do setor produtivo por seu impacto na competitividade regional.
Já o CEO do Estaleiro Mauá, Miro Arantes, destacou o potencial de geração de empregos proporcionado pela retomada da atividade naval.
“Cada emprego direto gerado movimenta uma cadeia de empregos indiretos e fortalece diversos setores”, afirmou.
Após a conclusão da dragagem, caberá à Marinha atualizar as cartas náuticas que oficializarão as novas condições de navegabilidade do canal. Paralelamente, o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) desenvolve estudos que servirão de base para a segunda etapa do projeto, cuja licitação está prevista para 2027.
Com a conclusão da obra e a ampliação da capacidade operacional do Canal de São Lourenço, Niterói fortalece sua posição como um dos principais polos da economia marítima brasileira, criando condições para atrair novos investimentos, ampliar a geração de empregos e consolidar a retomada da indústria naval no estado do Rio de Janeiro.

