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Junho Violeta alerta para violência contra idosos e reforça importância da denúncia

A campanha Junho Violeta chama a atenção para uma realidade preocupante que afeta milhares de idosos em todo o Brasil: a violência praticada contra pessoas da terceira idade. Criada em referência ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, a mobilização busca conscientizar a população sobre a necessidade de combater maus-tratos, negligência, abandono e outras violações de direitos que atingem esse público cada vez mais numeroso no país.

Levantamentos do Disque 100 mostram que as mulheres idosas estão entre as principais vítimas desse tipo de violência. Grande parte das ocorrências acontece dentro do ambiente familiar, tendo como autores filhos, parentes ou pessoas próximas, o que dificulta a identificação e a denúncia dos casos.

Entre as formas mais frequentes de violência estão a negligência, o abandono, as agressões físicas, a violência psicológica e a violência patrimonial, caracterizada pela apropriação indevida de aposentadorias, pensões, bens ou recursos financeiros da vítima. O isolamento social e a dependência em relação aos agressores também aumentam a vulnerabilidade dos idosos, que muitas vezes deixam de denunciar por medo, vergonha ou receio de perder o apoio familiar.

De acordo com o professor do curso de Direito da Estácio, Joviano Sousa, nem sempre a violência deixa sinais evidentes, tornando essencial a atenção de familiares, vizinhos e profissionais da saúde.

“Muitas vezes a violência contra a pessoa idosa acontece dentro de casa e é praticada por alguém de confiança da vítima. Por isso, é fundamental que familiares, vizinhos e profissionais estejam atentos aos sinais. A denúncia é um instrumento essencial para interromper o ciclo de violência e garantir a proteção e a dignidade dessas pessoas”, afirma.

Especialistas orientam que alguns sinais podem indicar situações de abuso e merecem investigação. Entre eles estão perda de peso ou falta de apetite sem causa aparente, mudanças bruscas de comportamento, isolamento, tristeza constante, higiene precária, hematomas recorrentes, objetos pessoais frequentemente danificados e medo excessivo do cuidador ou de algum familiar. Embora esses indícios não confirmem automaticamente a ocorrência de violência, servem como alerta para que a situação seja acompanhada pelos órgãos competentes.

A denúncia é considerada a principal ferramenta para interromper o ciclo de violência. Casos suspeitos podem ser comunicados de forma anônima pelo Disque 100. Em situações de emergência ou risco iminente, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Também é possível buscar apoio em unidades de saúde, delegacias especializadas, Conselhos Municipais do Idoso e no Ministério Público.

A campanha Junho Violeta reforça que envelhecer com dignidade, respeito e segurança é um direito de todos. A informação, a conscientização e a participação da sociedade são fundamentais para identificar situações de risco, proteger os idosos e garantir que seus direitos sejam preservados.