Nova Iguaçu inicia construção de plano para enfrentar impactos das mudanças climáticas
Nova Iguaçu deu mais um passo na elaboração do Plano Local de Ação Climática (PLAC), iniciativa que pretende orientar políticas públicas de prevenção e adaptação aos impactos das mudanças climáticas no município. Mais de 70 representantes do poder público e da sociedade civil participaram recentemente de uma oficina realizada no auditório do Previni, durante a segunda etapa de construção do documento.
O encontro teve como principal objetivo identificar as vulnerabilidades do território e levantar os fenômenos climáticos que mais afetam a população. Entre os problemas apontados pelos participantes, as inundações aparecem como uma das principais prioridades para o município.
A elaboração do plano integra o Programa Ambiente Resiliente, desenvolvido em parceria entre a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro e o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). Ao todo, 34 municípios fluminenses foram selecionados para receber suporte técnico na elaboração de estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
Participação popular orienta diagnóstico
Em Nova Iguaçu, o trabalho utiliza a metodologia CityRAP, que busca reunir informações técnicas e a percepção dos moradores para identificar os principais riscos existentes no território.
Durante a oficina, os participantes foram divididos em grupos para discutir problemas como inundações, ondas de calor, períodos de estiagem e deslizamentos. As informações levantadas serão organizadas em um diagnóstico climático, que servirá como referência para a definição das medidas que deverão fazer parte do plano.
O prefeito Dudu Reina acompanhou parte das atividades e destacou a importância de antecipar os impactos provocados por eventos extremos.
“Conhecemos os impactos dos eventos climáticos e sabemos que precisamos estar cada vez mais preparados. Este plano é importante porque nos permite pensar ações de prevenção, ouvir quem vive os problemas no dia a dia e construir políticas públicas capazes de tornar a cidade mais resiliente”, afirmou.
A proposta é fazer com que o planejamento climático esteja integrado às diferentes áreas da administração municipal, permitindo a adoção de medidas de prevenção e redução dos impactos sobre a população.
Plano deverá orientar novas ações
O secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Edgar Martins, defendeu que o processo resulte em ações concretas para o município.
“Não podemos ficar apenas criando e revisando planos: é preciso tirar as ações do papel. Queremos comemorar a resiliência da nossa população, o reflorestamento e políticas capazes de reduzir os impactos das enchentes”, declarou.
A participação dos moradores também foi considerada fundamental para aprimorar as estratégias municipais. Segundo o secretário de Defesa Civil, Jorge Ribeiro Lopes, as informações apresentadas pela população podem contribuir inclusive para a revisão de medidas já adotadas pela cidade.
“Ouvindo o cidadão e sua percepção sobre os fenômenos, teremos mais assertividade para traçar nossas estratégias. É provável que essa reunião gere mudanças no plano de contingência já usado pelo município”, explicou.
Conclusão prevista para 2027
A próxima etapa da elaboração do PLAC está prevista para novembro, quando será realizada uma nova oficina voltada à definição das ações prioritárias que deverão integrar o documento final. A conclusão do plano está prevista para 2027.
O trabalho contará com a participação de diferentes secretarias municipais, incluindo Saúde, Educação, Obras e Defesa Civil. A iniciativa também está relacionada à parceria firmada em março com o ONU-Habitat, por meio do projeto Rio Inclusivo e Sustentável.
Para a analista de programas da ONU, Tatiane Brasil, a participação dos moradores é essencial para que as estratégias sejam construídas a partir da realidade de cada território.
“A gente vem aos municípios para coletar informações, mas também para ouvir a população”, afirmou.
Com a elaboração do Plano Local de Ação Climática, Nova Iguaçu busca estruturar políticas de longo prazo para prevenção, adaptação e redução dos impactos de eventos climáticos extremos, combinando conhecimento técnico, planejamento público e participação da comunidade.

