Parcelamento sem planejamento aumenta risco de endividamento, alerta CDL Petrópolis
Pesquisa aponta que mais de 60 milhões de brasileiros tinham compras parceladas e que o consumo por impulso segue comprometendo o orçamento das famílias
O parcelamento continua sendo uma das principais formas de pagamento utilizadas pelos brasileiros, mas a facilidade de acesso ao crédito e às compras online tem contribuído para o aumento do endividamento das famílias. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Offerwise mostra que cerca de 60,1 milhões de consumidores possuíam compras parceladas em dezembro de 2025, o equivalente a 37% dos entrevistados, com média de quatro prestações em aberto.
Embora o número médio de parcelas tenha diminuído em relação ao levantamento anterior, passando de cinco para quatro, o estudo indica que o consumo por impulso e a ausência de planejamento financeiro continuam entre os principais fatores responsáveis pelo desequilíbrio das contas pessoais.
CDL Petrópolis reforça importância do consumo consciente
Para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Petrópolis, o cenário serve de alerta também para os consumidores da cidade, especialmente diante da rapidez com que o crédito é disponibilizado tanto no comércio físico quanto no digital.
Segundo o presidente da entidade, Cláudio Mohammad, o parcelamento é uma ferramenta importante para estimular a economia, desde que seja utilizado com responsabilidade.
“O parcelamento é um importante instrumento para estimular o consumo e movimentar a economia, mas precisa ser utilizado de forma consciente. Quando a decisão de compra é baseada apenas no valor da prestação, sem que o consumidor avalie o impacto daquele compromisso nos meses seguintes, o risco de desequilíbrio financeiro aumenta consideravelmente.”
Ele ressalta que manter uma boa gestão das finanças permite ao consumidor preservar seu crédito e favorece também o comércio.
Compras por impulso seguem em alta
De acordo com a pesquisa, 61% dos consumidores admitiram ter realizado compras não planejadas no mês anterior ao levantamento motivados pela facilidade de acesso ao crédito.
As lojas virtuais e aplicativos lideram esse comportamento, sendo apontados por 43% dos entrevistados como os principais responsáveis pelas compras por impulso, seguidos pelas lojas físicas de departamento, com 30%.
Os produtos mais adquiridos sem planejamento foram:
- Vestuário (21%);
- Supermercado (19%);
- Perfumes e cosméticos (17%);
- Medicamentos (14%).
Outro dado relevante mostra que nove em cada dez consumidores afirmaram já ter recebido oferta para contratar um cartão de crédito, enquanto 41% aceitaram a proposta, principalmente por necessidade financeira ou pela isenção de anuidade.
PIX ganha espaço, mas cartão ainda lidera parcelamentos
O levantamento também aponta que o PIX se consolidou como principal meio de pagamento para despesas do dia a dia, enquanto o cartão de crédito permanece predominante nas compras de maior valor.
Quando o assunto é parcelamento, sete em cada dez consumidores ainda optam pelo cartão de crédito tradicional, embora o PIX Parcelado já apareça como a segunda modalidade mais utilizada.
Falta de planejamento preocupa
A pesquisa revela ainda que 47% dos entrevistados não realizam qualquer controle financeiro antes de assumir novas despesas.
Entre aqueles que fazem algum acompanhamento do orçamento, métodos simples, como anotações em papel ou agendas, ainda são mais comuns do que planilhas eletrônicas ou aplicativos de finanças.
Para Cláudio Mohammad, o planejamento financeiro é essencial para evitar o comprometimento da renda.
“O crédito é uma ferramenta importante para o comércio e para o consumidor, mas exige responsabilidade. Antes de assumir uma nova parcela, é fundamental que a pessoa avalie todas as despesas que já possui, faça um planejamento e tenha segurança de que conseguirá honrar aquele compromisso até o fim. O crédito consciente beneficia tanto quem compra quanto quem vende.”

