Petrópolis recebe exposição gratuita sobre a infância do artista Alberto da Veiga Guignard
O Palácio de Cristal, em Petrópolis, recebe uma exposição gratuita em homenagem aos 130 anos de nascimento de Alberto da Veiga Guignard, um dos nomes importantes da pintura brasileira. Nascido em 1896, em Nova Friburgo, o artista chegou ainda criança à Cidade Imperial, onde viveu até os oito anos. A mostra destaca a influência desse período na formação de sua sensibilidade artística.
Instalada nos jardins do Palácio de Cristal, a exposição tem curadoria da museóloga Ângela Gutierrez e integra a programação da terceira edição do Flipetrópolis, Festival Literário Internacional de Petrópolis, que será realizado em novembro.
O festival tem entrada gratuita e conta com patrocínio Ouro da GE Aerospace e Águas do Imperador, por meio da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. A iniciativa também recebe patrocínio Prata da Zweiss, Itaú e Unifase, além de parceria com a Prefeitura de Petrópolis e a Academia Petropolitana de Letras (APL).
Todas as mesas de debate do Flipetrópolis serão transmitidas ao vivo pelo YouTube, no canal @flipetropolis, com recursos de audiodescrição e Libras. As ações do evento seguem princípios ESG, relacionados a questões ambientais, sociais e de governança, e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
Petrópolis marcou a infância de Guignard
A família de Guignard viveu em um casarão na antiga Avenida Sete de Setembro, atual Rua da Imperatriz, nas proximidades do Museu Imperial. Durante a infância, ele frequentou o Colégio Franco-Brasileiro, localizado a poucos metros da residência.
Naquela época, Petrópolis era marcada pela paisagem serrana, pela Mata Atlântica, pelos rios, palmeiras, pinheiros, hortênsias e grandes construções. Esse ambiente teria contribuído para as referências visuais que acompanharam o artista ao longo de sua trajetória.
Segundo o jornalista Marcelo Bortoloti, biógrafo de Guignard e autor do livro O Anjo Mutilado, a cidade também foi cenário de manifestações populares que permaneceram na memória do pintor. Entre elas estavam as festas juninas, com noites frias, fogos de artifício e balões de papel colorido.
Décadas mais tarde, os balões se tornariam elementos recorrentes e facilmente reconhecíveis em suas obras. A lembrança também estava ligada à história familiar: o pai do artista, Alberto José Guignard, fazia aniversário no dia de São João e costumava comemorar a data soltando balões e fogos no quintal de casa. Guignard tinha oito anos quando perdeu o pai.
Paisagens entre a memória e a imaginação
Montanhas, névoas, vegetação, construções aparentemente suspensas e a aproximação delicada entre céu e terra estão entre as características da linguagem artística de Guignard. A geografia de Petrópolis e a atmosfera da Serra ajudam a contextualizar algumas das referências visuais presentes em sua obra.
O artista, porém, não se limitava à reprodução fiel dos lugares. Suas pinturas combinavam realidade, lembranças e imaginação, reorganizando elementos como igrejas, casas, pessoas, montanhas, nuvens e balões em composições próprias.
Ao apresentar reproduções de suas obras e destacar a relação do pintor com a Cidade Imperial, a exposição busca valorizar um período ainda pouco conhecido de sua biografia e estimular novas pesquisas sobre essa ligação.
A pesquisa de Marcelo Bortoloti que fundamenta a mostra aponta Petrópolis como um espaço importante na formação da sensibilidade de Guignard, reunindo experiências de descoberta, beleza, afeto, pertencimento e perda que permaneceram em suas recordações.

