Residência Multiprofissional da Unifase fortalece formação integrada e amplia cuidado no SUS
O Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica da Unifase tem se consolidado como um importante espaço de formação prática e interdisciplinar para profissionais que atuarão no Sistema Único de Saúde (SUS). Ao integrar teoria e prática nas unidades básicas de saúde, a iniciativa proporciona experiências que vão além do atendimento individual, priorizando ações de prevenção, promoção da saúde e cuidado integral da população.
Voltado a profissionais de áreas como enfermagem, fisioterapia, nutrição, psicologia e serviço social, o programa estimula a atuação em equipes multiprofissionais e o desenvolvimento de estratégias integradas para atender às diferentes necessidades dos usuários. A proposta favorece a compreensão da complexidade dos territórios e fortalece a articulação entre os diversos níveis de atenção à saúde.
Na rotina das unidades, os residentes desenvolvem ações conjuntas que unem conhecimentos clínicos, sociais e educativos. Enquanto um profissional avalia aspectos relacionados à saúde física, outro identifica demandas sociais e um terceiro elabora estratégias de educação em saúde. O trabalho coletivo também envolve planejamento compartilhado, diálogo constante com as equipes de Saúde da Família e aproximação com lideranças comunitárias, contribuindo para um atendimento mais humanizado e eficiente.
Além da prática assistencial, o programa oferece espaços permanentes de estudo interdisciplinar e supervisão qualificada. Casos complexos são debatidos em conjunto, permitindo reflexões sobre os determinantes sociais da saúde, avaliação dos resultados das intervenções e elaboração de planos terapêuticos que respeitam as particularidades de cada paciente. Dessa forma, a formação ultrapassa o domínio de protocolos técnicos e desenvolve competências relacionadas à comunicação, ética e trabalho em equipe.
Outro diferencial da residência é o incentivo ao desenvolvimento de ações psicossociais nos territórios. Oficinas terapêuticas, grupos de escuta, rodas de conversa e atividades culturais fazem parte das estratégias de cuidado, fortalecendo vínculos entre profissionais e usuários e promovendo o protagonismo da comunidade. Essas experiências ampliam a formação dos residentes, que aprendem, na prática, técnicas de acolhimento e intervenção comunitária voltadas às necessidades reais da população.
Os impactos do programa também são percebidos nas unidades de saúde. De acordo com relatos das equipes, a presença dos residentes contribui para ampliar o acesso aos serviços, aumentar a resolutividade dos atendimentos e fortalecer as redes locais de atenção. A atuação integrada favorece políticas públicas mais sensíveis às vulnerabilidades sociais e amplia a capacidade de resposta a desafios como saúde mental, atendimento à população em situação de rua e promoção da saúde de crianças e adolescentes.
Segundo Michel, a inspiração para um cuidado mais humanizado encontra respaldo na trajetória da psiquiatra Nise da Silveira. “Por meio de pintura, modelagem e outras atividades expressivas, Nise ofereceu novas possibilidades de cuidado para pessoas que viviam internadas em hospitais psiquiátricos. Naquela época, muitos indivíduos considerados ‘fora do padrão social’ — pessoas com transtornos mentais, autistas, homossexuais, transexuais e mulheres que desafiassem as normas da época — eram frequentemente institucionalizados e submetidos a tratamentos extremamente duros. O trabalho de Nise representou uma ruptura com essa lógica e mostrou que o acolhimento, o respeito à subjetividade e o vínculo humano podem ser elementos centrais do cuidado em saúde mental”, afirmou.
A experiência da Residência Multiprofissional em Atenção Básica da Unifase reforça essa perspectiva ao promover uma formação baseada na interdisciplinaridade, no cuidado humanizado e no compromisso com os princípios do SUS, preparando profissionais capazes de atuar de forma integrada e centrada na dignidade das pessoas.

