Roubo de cargas gera prejuízo de R$ 314 milhões e segue concentrado na Região Metropolitana do Rio
O roubo de cargas continua impondo um impacto expressivo e persistente à economia do estado do Rio de Janeiro. Em 2025, o crime provocou um prejuízo direto estimado em R$ 314 milhões, segundo a nota técnica “Panorama do roubo de carga no estado do Rio de Janeiro – 2026”, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Ao longo do ano, foram registradas 3.114 ocorrências, o equivalente a uma média de oito caminhões roubados por dia.
A prática permanece fortemente concentrada na Região Metropolitana, sobretudo em áreas cortadas por rodovias federais estratégicas para o abastecimento e a circulação de mercadorias, como a BR-040 (Washington Luís), a BR-101 (Avenida Brasil) e a BR-116 (Presidente Dutra).
De acordo com o levantamento da Firjan, 52,8% dos registros estão concentrados em apenas oito das 137 Circunscrições Integradas de Segurança Pública (CISP) do estado, evidenciando gargalos recorrentes de logística e segurança. Duque de Caxias segue como principal foco do problema: o município e sua região concentraram 36% de todos os roubos de carga registrados em 2025. A CISP 59 (Duque de Caxias) liderou o ranking, com 399 ocorrências, alta de 29% em relação a 2024, seguida pela CISP 60 (Campos Elíseos), com 287 casos.
Outras regiões apresentaram variações relevantes. As CISP 54 (Belford Roxo) e 31 (Anchieta) deixaram o grupo de maior concentração após reduções significativas, enquanto as CISP 64 (São João de Meriti) e 39 (Pavuna) passaram a figurar entre as áreas críticas, com aumentos de 31% e 47%, respectivamente.
O impacto econômico do roubo de cargas vai além da perda direta das mercadorias. Custos indiretos com seguros, escoltas armadas e segurança privada elevam despesas operacionais, encarecem a produção e comprometem a competitividade das empresas. Segundo o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, dois em cada três empresários afirmam que as decisões de investimento no estado são influenciadas pelas condições de segurança. Ele destaca que os custos de prevenção afetam todo o setor produtivo, e não apenas as empresas diretamente atingidas.
A necessidade de aperfeiçoar o arcabouço legal e combater a cadeia de receptação também foi ressaltada por lideranças empresariais. Em reunião do Grupo de Trabalho de Enfrentamento ao Roubo de Cargas, realizada na sede da Firjan em Duque de Caxias, o presidente regional da entidade, Roberto Leverone, defendeu o avanço de projetos de lei capazes de enfraquecer o mercado ilegal que sustenta as quadrilhas.
No Leste Fluminense, São Gonçalo apresenta uma trajetória de crescimento preocupante. Após forte elevação em 2024, o município registrou novo aumento em 2025. As CISP 72, 73, 74 e 75 somaram 223 ocorrências, com destaque para os meses de novembro e dezembro, que concentraram quase metade dos casos anuais em áreas influenciadas pela BR-101.
Em contrapartida, ações integradas das forças de segurança têm produzido resultados. A Operação Torniquete, iniciada em setembro de 2024, resultou em mais de 640 prisões e na recuperação de R$ 42 milhões em cargas e veículos. A Firjan também registra que o estado encerrou 2025 com redução de 9% no número de roubos de carga em relação a 2024, reflexo de operações integradas, da atuação da Força Nacional e do reforço do policiamento em áreas estratégicas, como o entorno do Porto do Rio.
Apesar do recuo, o diagnóstico central permanece: o roubo de cargas segue altamente concentrado e com impacto significativo sobre a logística, os custos empresariais e a atratividade econômica do estado. Para a Firjan, a consolidação de avanços depende de ações contínuas e focalizadas, com intensificação do policiamento nos acessos às rodovias federais e maior integração entre União, estado e municípios.

