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Alunos de Petrópolis criam pluviômetro de baixo custo para ajudar na prevenção de deslizamentos

Oito estudantes do Ensino Médio da Escola Firjan Senai Sesi Petrópolis desenvolveram um protótipo de pluviômetro que pode custar até 30 vezes menos que equipamentos convencionais, cujo valor pode ultrapassar R$ 30 mil. A iniciativa busca ampliar o monitoramento de áreas de risco e contribuir para a prevenção de desastres provocados por eventos climáticos extremos.

Batizado de “Previsão de deslizamentos e mobilização social para aprimorar o sistema de alerta”, o projeto é realizado em parceria com o Laboratório de Geo-Hidroecologia e Gestão de Riscos da UFRJ (GEOHECO), com apoio do CNPq e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A proposta combina inovação tecnológica e educação para a redução de riscos. Integrantes do grupo de robótica da escola, os alunos participaram de oficinas sobre percepção de risco, mudanças climáticas, sistemas de alerta e alarme, rotas de fuga e medidas de autoproteção.

Os estudantes também foram a campo para conhecer as características do território e identificar áreas vulneráveis. Na escola, instalaram sensores de sucção do solo e um pluviômetro automático em uma área de encosta localizada nos fundos da unidade, criando uma estrutura para acompanhar condições relacionadas ao risco de deslizamentos.

Para a diretora da escola, Bianca Esteves, o projeto amplia a formação dos alunos para além do conhecimento técnico, estimulando também o protagonismo e a responsabilidade social.

A estudante Laura da Silva Xavier, de 17 anos, destacou a importância de desenvolver uma tecnologia que possa ser mais acessível às comunidades que vivem em áreas de risco. Para ela, o projeto representa uma oportunidade de utilizar os conhecimentos adquiridos na escola em benefício da população.

Tecnologia acessível para monitoramento

O potencial da iniciativa também chamou a atenção de especialistas. Pedro Camarinha, diretor substituto do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ressaltou que tecnologias de baixo custo podem contribuir para ampliar as redes de monitoramento e melhorar o conhecimento sobre os riscos locais.

O protótipo foi desenvolvido com suporte da Casa Firjan e utilização da estrutura do FabLab da escola. Durante o processo, os alunos receberam capacitação em Arduino, ESP32, impressão 3D, corte a laser e eletrônica.

O projeto já recebeu reconhecimento em competições científicas. A iniciativa conquistou o 1º lugar na categoria Desenvolvimento Tecnológico da FECTI 2025, além de destaque na Mostra Nacional de Robótica 2025.

A repercussão também ultrapassou os limites do município. Cerca de 40 pesquisadores do Brasil, Índia e Noruega, vinculados ao projeto NATRISK, visitaram a escola para conhecer o trabalho desenvolvido pelos estudantes.

Agora, a equipe pretende ampliar a pesquisa com o desenvolvimento de um novo equipamento capaz de medir a umidade do solo, criando mais uma ferramenta para o acompanhamento das condições que podem contribuir para movimentos de massa.

A iniciativa mostra como a integração entre educação, ciência e tecnologia pode transformar projetos desenvolvidos em sala de aula em soluções voltadas a problemas reais das cidades, especialmente diante do aumento dos desafios relacionados aos eventos climáticos extremos.