Região SerranaÚltimas notícias

Café Itinerante reúne comunidades e Defesa Civil de Teresópolis para fortalecer prevenção a desastres

A aproximação entre poder público e população ganhou força em Teresópolis com a realização do Café Itinerante com a Defesa Civil, promovido recentemente no Teatro Municipal. O encontro reuniu lideranças comunitárias, representantes dos Núcleos de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs), instituições de ensino e órgãos ambientais para discutir estratégias de prevenção e ampliar a participação da sociedade na preparação para situações de emergência.

Mais do que apresentar informações técnicas, a iniciativa buscou fortalecer uma cultura de prevenção, estimulando moradores a conhecer os riscos existentes em seus territórios e a participar das ações de proteção.

Entre os principais assuntos debatidos esteve o cenário climático associado ao fenômeno El Niño. O meteorologista Noé Guimarães apresentou informações sobre as condições climáticas, enquanto a secretária municipal de Defesa Civil, Tenente-Coronel Mariana Antunes, reforçou a importância de buscar informações em fontes oficiais, especialmente diante da circulação de notícias falsas durante períodos de instabilidade.

O diretor de Monitoramento, Antonio Marcos Panquestor, explicou como funciona o processo de emissão de alertas e destacou que as decisões da Defesa Civil são baseadas em dados oficiais e informações compartilhadas com órgãos estaduais e demais instituições responsáveis pelo monitoramento.

Mapeamento de riscos e ocupação do território

As características geográficas de Teresópolis também estiveram no centro das discussões. O geógrafo Braian Salvador apresentou aspectos relacionados aos riscos de deslizamentos e enchentes e informou que o município deverá atualizar o mapa oficial de áreas de risco.

Outro ponto abordado foi a necessidade de ampliar o mapeamento das rotas de fuga. Moradores defenderam que documentos como o Plano de Contingência e os mapas de evacuação sejam disponibilizados de maneira digital, facilitando o acesso da população às informações necessárias para situações de emergência.

A ocupação irregular do território também foi apontada como um dos fatores que podem ampliar a vulnerabilidade ambiental. A representante do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Manoela Alves, destacou a importância da fiscalização e da atuação preventiva em áreas consideradas sensíveis.

Segundo ela, intervenções inadequadas, loteamentos irregulares e alterações em margens de cursos d’água podem aumentar os riscos. A representante defendeu ainda uma integração mais efetiva entre os órgãos ambientais e a Defesa Civil, incluindo o uso de notificações preventivas.

Preparação começa dentro de casa

Durante o encontro, os participantes também receberam orientações sobre a chamada mochila de emergência, que pode ser preparada pelas famílias para situações que exijam deslocamento temporário.

A recomendação, porém, foi adaptada à realidade econômica dos moradores. Diante do relato sobre as dificuldades enfrentadas por famílias do Vale da Revolta, a secretária Mariana Antunes explicou que a preparação não depende da aquisição de equipamentos caros. A prioridade é organizar documentos, medicamentos, água, alimentos e outros itens básicos, além de estabelecer previamente estratégias para deixar a residência com segurança.

A prevenção de incêndios florestais também integrou as discussões. Representantes da Instituição Nova Terra e da Associação de Campo Limpo defenderam o fortalecimento da educação ambiental e da fiscalização como medidas permanentes para reduzir os riscos.

Defesa Civil Presente

Outro destaque foi a apresentação do programa Defesa Civil Presente, que prevê a realização de um censo porta a porta para identificar vulnerabilidades e conhecer de maneira mais detalhada as características de cada comunidade.

A proposta busca aproximar ainda mais as equipes dos moradores e permitir que as estratégias de prevenção sejam construídas considerando as particularidades de cada região.

Participaram do encontro representantes de comunidades como Posse, Caleme, Granja Florestal, Ilha do Caxangá, Cascata dos Amores, Serra dos Capins e Campo Limpo, além de integrantes do Planeja Terê, UNIFESO, CRAS e da Secretaria dos Direitos da Mulher.

Com a participação de diferentes setores da sociedade, o Café Itinerante reforçou que a prevenção de desastres depende da combinação entre monitoramento, planejamento, fiscalização e, principalmente, participação comunitária. Em uma cidade marcada por características geográficas complexas, conhecer os riscos e saber como agir pode ser tão importante quanto a própria estrutura de resposta às emergências.