Programa Recomeço já levou 740 pessoas em situação de rua de Niterói de volta às cidades de origem
Um ano após o início das atividades, o Programa Recomeço, da Prefeitura de Niterói, contabiliza 740 pessoas em situação de rua encaminhadas de volta às suas cidades de origem. A iniciativa, que completou um ano em agosto, busca ir além do deslocamento, trabalhando na reconstrução de vínculos familiares e na criação de uma rede de apoio para garantir melhores condições de reinserção social.
Segundo a Prefeitura, o programa é estruturado para evitar que o encaminhamento seja apenas uma transferência de território. As equipes realizam a localização de familiares e articulam, antes da viagem, as condições necessárias para que a pessoa tenha suporte ao chegar ao destino.
O secretário municipal de Assistência Social, Elton Teixeira, destaca que a proposta representa uma mudança na forma de enfrentar a situação de rua. A política pública combina atendimento social, documentação, acolhimento, moradia e encaminhamento para o mercado de trabalho.
Centro Integrado já realizou mais de 120 mil procedimentos
Parte importante da estratégia está concentrada no Centro Integrado de Atendimento, que realizou mais de 120 mil procedimentos desde o início do programa. Entre os serviços oferecidos estão a emissão de documentos, atendimento jurídico e psicológico, cuidados de higiene e até assistência veterinária.
No período, foram emitidas 3.227 certidões de nascimento e 2.455 registros de identidade, medidas consideradas fundamentais para que pessoas em situação de vulnerabilidade possam acessar outros serviços públicos e direitos.
A rede municipal também conta atualmente com mais de 500 vagas de acolhimento. Entre as alternativas está o atendimento em hotéis, modalidade adotada há cinco anos e que oferece maior privacidade e estrutura para pessoas que estão em processo de transição para uma vida independente.
As equipes de abordagem social também atuam de forma permanente, percorrendo diferentes regiões da cidade durante 24 horas para identificar demandas e realizar os encaminhamentos necessários.
Moradia como ponto de partida
Outro eixo do Programa Recomeço é a adoção do modelo Housing First, que parte da premissa de que o acesso à moradia pode ser o primeiro passo para a reconstrução da autonomia, e não uma etapa posterior à superação de outras vulnerabilidades.
Por meio da iniciativa, cerca de 30 pessoas já foram encaminhadas para moradias próprias no empreendimento Jardim das Paineiras, no Badu. A meta da Prefeitura é alcançar 100 unidades habitacionais destinadas ao programa.
A trajetória de Aline Rocha Silva representa uma das histórias de transformação associadas à iniciativa. Depois de perder a mãe e passar por um período em abrigo com a filha, ela conseguiu acesso à moradia e também conquistou um emprego fixo como cuidadora de animais.
Trabalho ainda é um dos desafios
A inserção no mercado de trabalho permanece entre os principais desafios para a autonomia dos beneficiários. Até o momento, 45 pessoas atendidas pelo programa conseguiram uma contratação formal.
Para a Prefeitura, os resultados reforçam que o enfrentamento da situação de rua depende de uma atuação integrada, envolvendo diferentes políticas públicas e não apenas ações emergenciais.
Ao combinar acolhimento, documentação, reconstrução de vínculos familiares, acesso à moradia e oportunidades de trabalho, o Programa Recomeço busca criar condições para que pessoas em situação de vulnerabilidade possam reconstruir suas trajetórias com mais autonomia e segurança.

