Derrota na Copa pode ensinar crianças a lidar com frustrações, afirma psicólogo
A eliminação precoce do Brasil em uma Copa do Mundo costuma provocar tristeza e frustração entre torcedores de todas as idades. Para especialistas, porém, esse momento pode representar uma importante oportunidade de aprendizado para as crianças. Segundo o psicólogo e professor do curso de Psicologia da Estácio, Ronaldo Rangel Cruz, o futebol oferece lições valiosas sobre inteligência emocional, resiliência, empatia e respeito, que ultrapassam o universo esportivo.
De acordo com o especialista, aprender a lidar com derrotas é um dos principais ensinamentos que o esporte proporciona desde a infância.
“Quando o time perde, a criança aprende a enfrentar a frustração, e isso é essencial porque a vida é feita de altos e baixos. Não vencer sempre é uma lição de humildade e perseverança”, afirma.
Rangel ressalta que perder uma partida não significa fracassar. Para ele, é importante mostrar às crianças que um resultado negativo não define quem elas são e que o valor das experiências vividas durante a trajetória é maior do que o placar final.
“Perder uma disputa é apenas uma circunstância, não define quem você é. A vida é muito maior do que um único resultado”, destaca.
O psicólogo também chama atenção para outro aspecto positivo proporcionado pelo futebol: o convívio respeitoso entre pessoas que torcem por equipes ou países diferentes. Segundo ele, a Copa do Mundo é um ambiente propício para ensinar que o adversário não deve ser tratado como inimigo.
“É natural existir a provocação saudável, mas é preciso ensinar que há uma linha entre brincar e humilhar. O respeito deve estar sempre presente”, orienta.
Outro exemplo citado pelo especialista são as tradicionais trocas de figurinhas, comuns durante o período da Copa. Além da diversão, a atividade estimula habilidades sociais importantes, como cooperação, negociação, paciência, solidariedade e capacidade de compartilhar.
Para Ronaldo Rangel, o maior legado do futebol na infância está nas experiências vividas ao longo do caminho, e não necessariamente na conquista de títulos ou vitórias.
“Completar o álbum não precisa ser encarado como uma competição. A satisfação está em viver essa experiência prazerosa e guardar as lembranças”, afirma.
Na avaliação do psicólogo, ensinar que derrotas fazem parte da vida e que sempre haverá novas oportunidades contribui para formar adultos emocionalmente mais preparados, capazes de enfrentar desafios com equilíbrio e de valorizar o esforço, as amizades e os aprendizados conquistados durante a caminhada.

