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Especialista defende revisão da escala 6×1 e afirma que produtividade não depende de mais horas de trabalho

A discussão sobre produtividade e jornada de trabalho voltou a ganhar força no Brasil, impulsionada pelos debates em torno da escala 6×1 e pelas mudanças que vêm transformando as relações profissionais. Para o professor e especialista em gestão Claudimir Matos, ainda persiste um equívoco comum no mercado: associar produtividade ao número de horas trabalhadas.

Segundo o especialista, evidências científicas e estudos da área de gestão demonstram que jornadas mais longas não significam, necessariamente, melhores resultados.

“A ideia de que trabalhar mais horas gera mais resultados é falsa. O que a ciência da gestão mostra é exatamente o contrário”, afirma.

Claudimir explica que o conceito está relacionado à chamada lei dos rendimentos decrescentes, segundo a qual cada hora adicional de trabalho tende a produzir menos resultados, ao mesmo tempo em que aumenta os custos físicos, emocionais e operacionais.

De acordo com o professor, pesquisas internacionais apontam que a faixa considerada ideal para manter elevados níveis de desempenho cognitivo e produtividade está entre 35 e 40 horas semanais. Acima desse limite, começam a surgir sinais de desgaste, como aumento de erros, lentidão na tomada de decisões e crescimento do retrabalho.

“Uma equipe exausta opera em modo de sobrevivência, não de inovação”, observa.

Professor dos cursos de Gestão da Estácio, Claudimir destaca que a motivação é um fator ainda mais relevante do que o tempo efetivamente dedicado ao trabalho.

“Um profissional motivado entrega muito mais em seis horas do que alguém exausto entrega em dez”, ressalta.

Além dos impactos sobre a produtividade, o especialista chama atenção para os reflexos das jornadas extensas na saúde mental e na qualidade de vida dos trabalhadores. Segundo ele, a escala 6×1 pode comprometer o descanso, a convivência familiar e o autocuidado, fatores diretamente ligados ao engajamento e ao bem-estar.

“Quando o trabalhador percebe que não tem tempo para viver, o trabalho vira um fardo. Isso derruba a motivação e abre espaço para o presenteísmo, que é quando se está presente de corpo, mas com a mente desligada”, explica.

Para Claudimir Matos, o cenário global aponta para modelos mais flexíveis de organização do trabalho. Experiências com semanas de quatro dias, já adotadas em diferentes países, demonstram que é possível aumentar a eficiência sem ampliar a carga horária dos profissionais.

O especialista também destaca o papel da tecnologia nesse processo. Segundo ele, ferramentas de automação e inteligência artificial devem ser utilizadas para tornar o trabalho mais eficiente e estratégico, e não para ampliar a sobrecarga dos trabalhadores.

“O papel da tecnologia não é substituir o humano, mas eliminar tarefas repetitivas e abrir espaço para o que é criativo e estratégico. Isso gera valor”, afirma.

Na avaliação do professor, o debate sobre a revisão da escala 6×1 não deve ser encarado como uma busca por menos trabalho, mas sim por modelos mais inteligentes de produtividade.

“Ganha a empresa com mais eficiência e menos rotatividade. Ganha o trabalhador com mais saúde e dignidade. O futuro da produtividade não está na exaustão, está no equilíbrio”, conclui.

A reflexão se soma a um movimento cada vez mais presente no país, que busca repensar a organização das jornadas de trabalho, conciliando desempenho profissional, qualidade de vida e sustentabilidade nas relações laborais.