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Maricá cria diretoria para impulsionar pesquisas em fármacos, fitoterápicos e cannabis medicinal

A Companhia Maricá Alimentos (AMAR) criou uma nova diretoria dedicada às áreas de fármacos, fitoterápicos, cosméticos e cannabis medicinal. A estrutura terá como foco organizar e ampliar projetos de pesquisa, desenvolvimento e produção, aproximando o poder público de universidades, centros de pesquisa e empresas privadas.

A iniciativa formaliza uma frente de trabalho que já vinha sendo desenvolvida no município e integra saúde, ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico. Entre os objetivos está o fortalecimento da capacidade local de desenvolver conhecimento e produtos voltados à saúde e ao bem-estar da população.

A criação da diretoria também está relacionada ao debate sobre a dependência brasileira de insumos farmacêuticos. Cerca de 90% dos insumos farmacêuticos ativos utilizados no país são importados, cenário que reforça a necessidade de ampliar a capacidade nacional de produção de componentes estratégicos para a área da saúde.

Um dos projetos incorporados à nova estrutura é a Farmácia Viva de Maricá, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A iniciativa reúne conhecimentos tradicionais e pesquisa científica e já trabalha no desenvolvimento de produtos como xaropes, drogas vegetais, repelentes e cosméticos.

A estratégia prevê ainda a implantação de um centro de pesquisa e desenvolvimento no Parque Tecnológico de Maricá. O espaço deverá contribuir para a validação de novas formulações e ampliar as possibilidades de produção no próprio município.

Para o presidente da AMAR, Marlos Costa, a nova diretoria representa a estruturação de uma política pública que reúne diferentes áreas em torno de um mesmo objetivo. A expectativa é que, com o avanço dos projetos, Maricá possa futuramente desenvolver uma indústria própria de fármacos e fitoterápicos, ampliando a autonomia e criando novas oportunidades econômicas.

A proposta também prevê a formação de uma cadeia produtiva local, envolvendo agricultores, pesquisadores e pequenos empreendedores. A intenção é estimular o desenvolvimento de tecnologias e insumos para a saúde a partir dos recursos da biodiversidade regional.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Velho, destacou a importância de aproximar a produção científica das demandas enfrentadas pela população. Já o presidente do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM), Cláudio Gimenez, ressaltou o papel da instituição na conexão entre universidades, governo e empresas para transformar pesquisas em soluções aplicáveis.

Com a nova estrutura, Maricá busca ampliar sua participação nas áreas de pesquisa e desenvolvimento de fitoterápicos, medicamentos e produtos relacionados à saúde. A iniciativa também coloca o município no debate sobre inovação e redução da dependência externa de insumos farmacêuticos estratégicos.