Maricá fortalece autonomia de pessoas em situação de vulnerabilidade por meio de rede de cuidados
A atuação conjunta das secretarias de Assistência Social e Saúde de Maricá tem criado novas possibilidades para pessoas em situação de vulnerabilidade, unindo acolhimento, acompanhamento especializado e incentivo à autonomia. Um dos exemplos desse trabalho é a trajetória de Sérgio Barreto, que transformou a própria experiência na rede municipal em uma oportunidade de expressão e participação social.
Sérgio foi acolhido no Abrigo de Ubatiba depois de ser localizado pelo Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas). Na sequência, passou a ser acompanhado pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), onde encontrou espaço para desenvolver uma iniciativa própria: o jornal “Vem Comigo pro Caps”.
A publicação gratuita já alcançou a 41ª edição e circula entre usuários da rede municipal e profissionais do Seas. O informativo funciona como um espaço de troca de informações, experiências e reflexões entre pessoas atendidas pelos serviços.
Jornal surgiu dentro do Caps
A ideia nasceu da própria vivência de Sérgio no Caps AD. Com o desejo de criar um canal para compartilhar informações e aproximar os frequentadores da unidade, ele passou a produzir o jornal dentro do próprio serviço.
Ao longo das edições, a publicação também se tornou uma ferramenta de participação. Além de Sérgio, outros usuários podem contribuir com relatos, dúvidas e experiências, fortalecendo os vínculos e a interação entre as pessoas atendidas.
“A produção representa uma forma de expressão e de participação ativa no cotidiano do serviço. A cada edição, mantenho o projeto em movimento e crio novas possibilidades de interação com outras pessoas”, conta Sérgio.
Segundo ele, o projeto também contribuiu para transformar sua rotina e ampliar seus vínculos sociais, mostrando como iniciativas desenvolvidas a partir dos próprios usuários podem ganhar espaço dentro da rede de cuidado.
Rede busca ir além do acolhimento
Para a secretária de Assistência Social e Cidadania, Dryene Tavares, a experiência demonstra que os serviços de acolhimento podem desempenhar um papel importante na construção da autonomia e no fortalecimento do protagonismo dos usuários.
“A iniciativa mostra como os espaços de acolhimento e cuidado também podem estimular a autonomia, a criatividade e o protagonismo. O trabalho integrado permite que ações como essa encontrem espaço para se desenvolver e chegar a outras pessoas”, afirmou.
O atendimento municipal começa com a busca ativa e a escuta qualificada realizadas pelo Seas. A rede conta ainda com os abrigos municipais, que oferecem moradia temporária, e com o acompanhamento continuado do Caps AD.
A proposta é construir um atendimento integrado, capaz não apenas de oferecer proteção e cuidado, mas também de criar condições para que pessoas em situação de vulnerabilidade retomem vínculos, desenvolvam novas habilidades e participem ativamente da reconstrução de seus projetos de vida.

