Novo sistema de videomonitoramento de Petrópolis reacende debate sobre cobertura nos distritos
A instalação das câmeras da nova Central de Monitoramento de Petrópolis, iniciada recentemente pela Prefeitura após uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF), reacendeu a discussão sobre a distribuição dos equipamentos de segurança pela cidade. Para a associação Unidos por Itaipava (Unita), a reconstrução do sistema, que estava suspenso desde fevereiro, precisa ir além da reposição das câmeras e garantir uma cobertura mais equilibrada entre os distritos.
A entidade defende atenção especial para Itaipava, Corrêas, Nogueira, Pedro do Rio e Posse, regiões que concentram moradores, atividade econômica, circulação turística e áreas vulneráveis a eventos climáticos.
O município já chegou a contar com um sistema considerado referência na região. Inaugurado em 2018, o Centro Integrado de Operações (Ciop) chegou a operar com 111 câmeras instaladas em vias públicas, integradas à Guarda Civil, à Polícia Militar e aos órgãos municipais de trânsito.
Ao longo dos anos, porém, a estrutura foi perdendo capacidade operacional em razão da falta de manutenção e de atrasos na renovação de contratos. Em fevereiro de 2026, todas as câmeras foram retiradas, deixando Petrópolis sem o sistema de videomonitoramento justamente durante um período marcado por chuvas intensas.
Embora o número de equipamentos tenha sido ampliado ao longo da existência do Ciop, a Prefeitura não divulgava a distribuição detalhada das câmeras por distrito, sob a justificativa de que se tratava de informação estratégica. Na prática, a maior concentração dos equipamentos ficava na região central.
Sistema emergencial ainda não cobre toda a demanda
O novo contrato emergencial firmado pelo município tem valor de R$ 1,4 milhão e vigência de até 12 meses. A estrutura prevê 127 câmeras distribuídas em 67 pontos, enquanto uma licitação deverá definir posteriormente uma solução permanente.
Os números, entretanto, mostram uma diferença significativa entre a estrutura emergencial e a demanda identificada em estudos técnicos da própria administração municipal. O levantamento aponta a necessidade de 211 câmeras em 144 pontos estratégicos.
Com isso, 77 locais considerados estratégicos não serão contemplados pela cobertura emergencial.
Para a Unita, a diferença demonstra a necessidade de um planejamento de longo prazo que considere não apenas a região central, mas também os locais que passaram por crescimento urbano e turístico nos últimos anos.
Entidade defende critérios técnicos para distribuição
O presidente da Unita, Alexandre Plantz, considera que a reconstrução do sistema representa uma oportunidade para corrigir uma concentração histórica dos equipamentos.
Segundo ele, Itaipava reúne cerca de 30 mil moradores e recebe turistas e veranistas durante todo o ano. Em fins de semana e períodos de maior movimento, como a temporada de inverno, a circulação na região aumenta significativamente.
Além do fluxo turístico, os distritos concentram polos comerciais, gastronômicos e de serviços, além de apresentarem registros de acidentes e pontos suscetíveis a alagamentos.
Por isso, a entidade defende que a distribuição das novas câmeras considere critérios como população residente, circulação de pessoas e veículos, atividade econômica, potencial turístico, histórico de acidentes e riscos hidrológicos.
A proposta também é que o videomonitoramento tenha uma função mais ampla, servindo não apenas à segurança pública, mas também ao acompanhamento do trânsito, ao trabalho da Defesa Civil e à prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.
Para a Unita, ampliar a cobertura para os distritos significa construir uma política de monitoramento mais adequada à realidade atual de Petrópolis, beneficiando moradores, trabalhadores, comerciantes e turistas.

