Primavera-verão deve movimentar R$ 125 bilhões no varejo de moda até dezembro
A chegada da temporada primavera-verão deve impulsionar o varejo de moda no Brasil nos últimos meses do ano. Segundo estimativa do IEMI, o setor de vestuário deve movimentar R$ 125,3 bilhões entre setembro e dezembro, alta de 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
A projeção também aponta crescimento no volume de produtos comercializados. A expectativa é que sejam vendidas aproximadamente 2,5 bilhões de peças durante os quatro meses da estação, número 4,6% superior ao registrado no mesmo intervalo anterior.
Dezembro concentra expectativa de vendas
Entre os meses da temporada, dezembro aparece como o período de maior potencial para o comércio, impulsionado pelas compras de Natal e pelas celebrações de fim de ano. A previsão é de crescimento de 5% na quantidade de peças comercializadas e de 8,3% no faturamento.
Caso a estimativa se confirme, o varejo de vestuário poderá alcançar R$ 48 bilhões em vendas somente em dezembro.
Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL), a mudança de coleção representa também uma oportunidade para os comerciantes acompanharem as transformações nos hábitos de consumo e renovarem a apresentação das lojas.
“Quando uma nova estação chega, não muda apenas o guarda-roupa. Mudam as vitrines, as cores, os desejos e as oportunidades para o comércio. A primavera-verão tem esse poder de trazer novidade para as lojas e criar novas razões para o consumidor circular e comprar”, afirma o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad.
Maquiagem e acessórios também ganham espaço
O impacto da temporada não fica restrito ao vestuário. Produtos que complementam os looks também costumam registrar maior procura durante os meses mais quentes.
No segmento de maquiagem e cosméticos de uso diário, o segundo semestre, que reúne primavera-verão, Black Friday e Natal, representa historicamente entre 55% e 60% do faturamento anual das marcas. Para a temporada quente, a estimativa é de movimentação entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões no varejo voltado ao consumidor final.
Os acessórios também aparecem entre os segmentos beneficiados. Bolsas, bijuterias, joias e óculos respondem por aproximadamente 12% a 15% do faturamento do varejo de moda durante o verão, com movimentação estimada entre R$ 15 bilhões e R$ 18,7 bilhões.
Leveza e cores fortes entre as tendências
Para a primavera-verão, as tendências combinam peças leves com elementos de maximalismo e referências nostálgicas. Vestidos leves aparecem entre os destaques, com aumento de até 40% nas buscas, acompanhados por conjuntos frescos, macaquinhos e saias rodadas de comprimento midi.
Tecidos como linho e algodão ganham espaço, enquanto transparências em tule e trabalhos artesanais, como o crochê, também aparecem nas coleções.
Na cartela de cores, tons vibrantes como amarelo cítrico e azul-cobalto ganham destaque. O poá retorna às vitrines e divide espaço com listras náuticas coloridas e estampas de animal print, especialmente a oncinha.
Nos calçados, as sandálias abertas representam mais da metade das vendas femininas durante a estação. Modelos como jelly shoes e sapatilhas de perfil utilitário também aparecem entre as opções que voltam a ganhar espaço no mercado.
Comércio local busca aproveitar mudança de estação
Em Petrópolis, a expectativa é que a renovação das coleções ajude o comércio a criar novas experiências para os consumidores. Para Cláudio Mohammad, os lojistas podem utilizar as tendências como referência, mas precisam considerar as características e preferências do público de cada estabelecimento.
“O consumidor não procura apenas uma peça. Muitas vezes ele quer uma ideia, uma combinação, uma novidade. Cabe ao lojista entender esse momento e apresentar produtos de uma maneira que desperte esse interesse”, destaca.
O presidente da CDL Petrópolis também chama atenção para a característica do clima da cidade, onde as temperaturas podem variar mesmo durante os meses mais quentes. Nesse cenário, peças mais leves que também ofereçam proteção contra o frio, como casacos de menor espessura, podem continuar presentes nas araras.
Para o dirigente, acompanhar as tendências é apenas uma parte do trabalho. A estratégia passa também por equilibrar novidades com produtos de maior giro e apresentar as coleções de maneira capaz de estimular a entrada do consumidor nas lojas.
“É preciso combinar novidades com produtos de giro e transformar a mudança de coleção em uma experiência capaz de levar o consumidor da vitrine para dentro da loja”, afirma.
Com a expectativa de crescimento nas vendas, a primavera-verão se apresenta para o varejo como um período de renovação das coleções e também de novas oportunidades para aproximar marcas, lojas e consumidores.

