Projeto da Unifase aproxima universidade e moradores do Vale do Carangola há mais de uma década
Há mais de dez anos, a Unifase mantém uma atuação contínua no Vale do Carangola, em Petrópolis, por meio de um projeto de extensão que busca aproximar a universidade das demandas e da realidade dos moradores. Criado em 2014, o Projeto de Extensão Vale do Carangola tem como proposta construir conhecimento a partir da escuta, do diálogo e da convivência com a comunidade.
Mais do que levar atividades acadêmicas ao território, a iniciativa procura compreender as necessidades apontadas pelos próprios moradores e lideranças locais. Para o coordenador de extensão, Ricardo Tammela, essa relação também transforma a formação dos estudantes, que passam a enxergar o território como espaço de aprendizado.
Segundo ele, a presença constante, o envolvimento com as questões enfrentadas pela comunidade e a troca de experiências contribuem para uma formação em que extensão, pesquisa e ensino se relacionam de forma integrada.
Ações partem das demandas da comunidade
As atividades desenvolvidas pelo projeto são definidas a partir do contato direto com moradores e lideranças. Estudantes e integrantes da equipe percorrem ruas e servidões do Vale do Carangola para conhecer de perto as dificuldades e identificar demandas que podem orientar novas ações.
Durante a pandemia de Covid-19, essa aproximação ganhou ainda mais importância diante do aumento da insegurança alimentar. A equipe mobilizou arrecadações de cestas básicas e criou a moeda social #pratododia, iniciativa voltada ao apoio às famílias e ao fortalecimento da autonomia dos moradores.
A saúde também passou a integrar as frentes de atuação, com ações direcionadas principalmente às crianças e às mulheres. Na área da educação, o projeto promoveu um preparatório para o ENCCEJA destinado a mulheres e criou a iniciativa “Cartas do Vale”, que estabeleceu uma aproximação entre crianças da comunidade e padrinhos por meio da troca de correspondências.
Realidade do território orienta atuação
Para os participantes do projeto, conhecer o Vale do Carangola significa compreender aspectos que vão além de números e indicadores sociais. Questões como mobilidade, acesso aos serviços públicos, condições de moradia, saúde e alimentação fazem parte da experiência dos estudantes no território.
A realidade enfrentada por Sandra Leila Lima, moradora do bairro há 41 anos, é um dos exemplos observados pelo projeto. Ela relata as dificuldades para deixar a própria casa com o filho, que tem síndrome de Down e limitações de locomoção, principalmente em períodos de chuva.
“Quando chove, fica muito difícil sair de casa. A gente acaba ficando preso, porque o caminho fica complicado, principalmente para quem tem dificuldade de locomoção. E não sou só eu, outros moradores também passam pela mesma situação”, relata.
Universidade atua em parceria com moradores
De acordo com Ricardo Tammela, a experiência no Vale do Carangola contribui para a formação dos estudantes sem substituir as responsabilidades do poder público. A proposta é atuar como parceira da comunidade, ajudando moradores e lideranças a identificar caminhos para reivindicar políticas públicas e ampliar a presença do Estado no território.
Nesse modelo, a extensão universitária funciona como uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo em que as ações desenvolvidas podem contribuir para enfrentar demandas da comunidade, a vivência no território amplia a compreensão dos estudantes sobre os desafios sociais e influencia sua formação acadêmica e profissional.
Após mais de uma década de atuação, o Projeto de Extensão Vale do Carangola mantém como principal característica a construção conjunta com os moradores, baseada na escuta e no reconhecimento de que o conhecimento também é produzido a partir das experiências de quem vive diariamente no território.

