Reforma tributária exige preparação de hotéis, bares e restaurantes para nova realidade fiscal
A reforma tributária deve provocar mudanças significativas nos setores de hotelaria e gastronomia, que estão entre os segmentos mais impactados pela complexidade operacional e pela necessidade de adaptação às novas regras. Para discutir os desafios e as estratégias necessárias durante o período de transição, empresários, contadores e especialistas participaram de um encontro realizado nesta semana no auditório da Firjan, em Petrópolis.
Idealizado pelo Petrópolis Convention & Visitors Bureau (PCVB), com apoio do Sebrae-RJ, Firjan, CRC-RJ e Sescon-RJ, o evento teve como objetivo orientar os empresários sobre os impactos do novo sistema tributário e apresentar medidas para reduzir riscos e preservar a saúde financeira dos negócios. Entre os principais pontos discutidos estiveram a revisão das alíquotas, a organização financeira e a necessidade de repactuação de contratos com clientes corporativos.
Na abertura, lideranças do setor turístico e representantes do poder público destacaram a importância da preparação antecipada. O presidente do PCVB, Fabiano Barros, afirmou que a própria preocupação com os impactos da reforma tributária foi o que motivou a realização do encontro e a busca por mais informação para os empresários.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Samir El Ghaoui, destacou o papel do poder público como apoio ao setor durante o período de transição. Guilherme Caposse, do Sebrae-RJ, classificou o processo como um grande desafio, enquanto Andréa Amaro, do Sescon-RJ, ressaltou a importância da aproximação entre empresários e profissionais da contabilidade para compreender as mudanças e planejar as adaptações necessárias.
Fluxo de caixa e organização financeira ganham importância
Durante o painel técnico, conduzido por José Miguel Rodrigues da Silva, José Marcos Lopes da Silva e Carla Rittmeyer Fraga, os participantes discutiram os impactos mais imediatos da reforma sobre as operações.
Um dos pontos de atenção apresentados foi o chamado split payment, sistema de pagamento que prevê a separação e o recolhimento automático dos tributos no momento da liquidação financeira das operações. Segundo os especialistas, a mudança exige atenção especial ao fluxo de caixa das empresas e maior controle sobre as movimentações financeiras.
Outro aspecto destacado foi a necessidade de ampliar a rastreabilidade das notas fiscais referentes à aquisição de insumos. O controle detalhado desses documentos será importante para que as empresas possam identificar e aproveitar corretamente os créditos tributários previstos no novo modelo.
Para José Marcos, a organização financeira passa a ocupar um papel ainda mais estratégico. O setor também deverá se preparar para revisar contratos com clientes corporativos, especialmente aqueles relacionados a hospedagem, eventos e serviços empresariais, considerando os efeitos da nova estrutura tributária.
Restaurantes terão desafios específicos
No segmento de bares e restaurantes, a adaptação tende a ser ainda mais complexa devido à variedade de produtos e serviços comercializados em uma mesma operação.
Os estabelecimentos deverão adaptar seus sistemas de faturamento e gestão para realizar a correta classificação e tributação dos diferentes itens comercializados. Comida preparada no próprio estabelecimento, bebidas alcoólicas e produtos revendidos podem receber tratamentos tributários distintos, exigindo maior precisão nos registros das vendas.
Também entram no processo de adaptação operações relacionadas a serviços de delivery e eventuais taxas cobradas dos consumidores. A correta configuração dos sistemas será fundamental para evitar erros de apuração e possíveis impactos financeiros.
Ao final do encontro, Fabiano Barros reforçou a necessidade de que os empresários acompanhem de perto o processo de transição e trabalhem em conjunto com seus contadores.
A avaliação compartilhada pelos participantes foi de que a preparação antecipada será fundamental para que hotéis, bares e restaurantes possam atravessar a mudança de regime tributário com maior segurança. Nesse cenário, planejamento financeiro, revisão de processos, atualização dos sistemas e acompanhamento especializado passam a fazer parte das prioridades do setor.

