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Inadimplência atinge 144 mil consumidores e supera 62% da população adulta em Petrópolis

Município registra dívida média superior à nacional, enquanto famílias enfrentam pressão sobre o orçamento e redução do poder de compra

A leve redução da inadimplência no cenário nacional não foi suficiente para aliviar a pressão sobre o comércio e as famílias. Em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, o problema apresenta números ainda mais preocupantes: 144 mil consumidores estão negativados, o equivalente a 62,07% da população com mais de 18 anos. Na prática, quase três em cada cinco adultos possuem algum tipo de restrição no CPF.

O cenário também chama atenção pelo valor médio das dívidas. Enquanto a média nacional é de R$ 5.152,52, o débito médio dos consumidores inadimplentes em Petrópolis supera R$ 6,5 mil, indicando um comprometimento ainda maior do orçamento familiar.

A situação é agravada por indicadores sociais que revelam a vulnerabilidade de parte da população. O município possui mais de 53 mil famílias inscritas no Cadastro Único e cerca de 17,5 mil beneficiárias do Bolsa Família.

Para Cláudio Mohammad, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Petrópolis, a comparação entre os dados nacionais e a realidade local evidencia a dimensão do desafio enfrentado pelas famílias e pela economia do município.

“Quando comparamos os indicadores nacionais com a realidade de Petrópolis, percebemos que o desafio é ainda maior. O valor médio da dívida supera a média brasileira, o que demonstra o quanto o orçamento das famílias continua comprometido”, afirma.

Em âmbito nacional, o levantamento aponta que quase três em cada dez consumidores inadimplentes possuem dívidas de até R$ 500. Mais de 41% têm pendências de até R$ 1 mil. Embora sejam valores considerados relativamente baixos, essas dívidas podem impedir o acesso ao crédito e limitar a capacidade de consumo.

“São dívidas que, muitas vezes, poderiam ser resolvidas por meio da negociação. Recuperar esse consumidor é importante para ele e também para o comércio, que ganha novamente um cliente ativo”, destaca Mohammad.

Apesar de a maior parte das dívidas estar concentrada no sistema financeiro, os efeitos da inadimplência são sentidos diretamente pelo comércio. Com o orçamento comprometido, os consumidores passam a pesquisar mais antes de comprar, adiam aquisições e concentram os gastos em produtos considerados essenciais.

“Não é falta de vontade de consumir, mas de capacidade financeira”, resume o presidente da CDL Petrópolis.

Para Mohammad, o enfrentamento da inadimplência deve ser tratado como uma questão diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico. A recuperação do poder de compra das famílias, segundo ele, depende de ações que estimulem a renegociação de dívidas e permitam que consumidores voltem gradualmente ao mercado.

Em Petrópolis, os números reforçam a necessidade de ampliar as oportunidades de negociação e de recuperação financeira dos consumidores. A retomada do crédito e do poder de compra pode beneficiar não apenas as famílias endividadas, mas também o comércio e a economia local como um todo.