Novo painel do Cidade Ilustrada resgata a história do Palacete do Mimi em São Gonçalo
A história de um dos patrimônios mais emblemáticos de São Gonçalo ganhou uma nova forma de ser contada pelas ruas da cidade. Um painel do projeto Cidade Ilustrada, instalado na Avenida Presidente Kennedy, no sentido Centro, na altura do bairro São Miguel, retrata o histórico Palacete do Mimi e personalidades da cultura brasileira que passaram pelo local.
Integrada ao corredor viário do Mobilidade Urbana Verde Integrada (MUVI), a obra transforma as lembranças do antigo casarão em arte urbana e aproxima o patrimônio histórico do cotidiano de milhares de pessoas que circulam diariamente pela região.
Palacete marcou a história cultural de São Gonçalo
Construído em 1917, o Palacete do Mimi chamava atenção pela arquitetura neoclássica e pelo luxo de seus acabamentos. O imóvel contava com materiais importados da Europa, incluindo espelhos, janelas e vidraças francesas, tapetes persas e uma escada de mármore branco trazida da Alemanha.
Entre as características que mais impressionavam estava uma piscina oval com aquecimento por caldeira, considerada uma novidade no Brasil naquele período.
Localizado no bairro Estrela do Norte, o casarão recebeu encontros da sociedade fluminense e teve entre seus frequentadores importantes nomes da cultura brasileira, como Villa-Lobos, Carlos Drummond de Andrade, Di Cavalcanti, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Mário de Andrade.
O painel reproduz os personagens ao lado da fachada do antigo palacete, criando uma representação visual de um período importante da história cultural de São Gonçalo.
Ao longo dos anos, o imóvel teve diferentes proprietários e funções. O espaço chegou a funcionar como cassino, recebeu festas exclusivas e também serviu de cenário para o filme “Os Monstros de Babaloo”.
Com o crescimento urbano de São Gonçalo a partir da década de 1950, o Palacete do Mimi ganhou ainda mais notoriedade e se consolidou como símbolo de uma época marcada pela sofisticação e pela efervescência cultural.
Embora o casarão não exista mais em sua configuração original, sua história permanece presente na memória dos moradores.
Arte urbana como preservação da memória
A produção do painel reuniu oito grafiteiros, cada um responsável pela representação de um personagem ou elemento da história do palacete. Leandro Ribeiro retratou Villa-Lobos; Igor Skid, Carlos Drummond de Andrade; Vagner Catmy, Di Cavalcanti; Douglas Civic, o casarão; Vênus, as letras; Marcelo Alio, Oswald de Andrade; Paty Modesto, Tarsila do Amaral; e Dudu, Mário de Andrade.
A equipe contou ainda com assistência de Necila, Julliana, Sabrini e Rolf, coordenação de Raf Pereira e curadoria de Marcelo Eco.
Para o curador, a iniciativa utiliza a arte urbana como ferramenta para preservar e democratizar o acesso à história local.
“Esse painel é uma forma de manter viva a memória do Palacete do Mimi e, ao mesmo tempo, aproximar essa história das pessoas que circulam diariamente pela cidade”, afirmou Marcelo Eco.
A intervenção transforma um espaço de passagem em um ponto de contato com a memória de São Gonçalo, permitindo que novas gerações conheçam personagens, patrimônios e episódios que ajudaram a construir a identidade cultural do município.

