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Rio de Janeiro recupera nota máxima da Fitch Ratings e alcança classificação AAA(bra)

O município do Rio de Janeiro voltou ao nível máximo da escala nacional de classificação de risco de crédito. A Fitch Ratings elevou o Rating Nacional de Longo Prazo da capital de AA+(bra) para AAA(bra), reconhecendo a recuperação das contas públicas, a melhora da posição fiscal e a perspectiva de redução gradual da dívida.

A agência também elevou o Perfil de Crédito Individual (PCI) do Rio, que passou de “BB” para “BB+”. A avaliação considera fatores como a capacidade de geração de receitas, liquidez, controle das despesas e menor exposição a receitas consideradas voláteis.

Recuperação começou em 2021

A melhora ocorre após um período de forte desequilíbrio financeiro. Em 2021, a Prefeitura encontrou um déficit fiscal de aproximadamente R$ 6 bilhões, além de R$ 4,9 bilhões em restos a pagar, caixa praticamente esgotado e despesas com pessoal acima do limite previsto pela legislação.

A partir daquele momento, foram implementadas medidas como o Novo Regime Fiscal, a Reforma da Previdência, a simplificação tributária e ações para ampliar a arrecadação.

Já no primeiro ano, a disponibilidade de caixa voltou a ficar positiva e o município recuperou sua capacidade de pagamento, avançando da CAPAG C para a CAPAG B.

“Não existe milagre em gestão pública. Existe responsabilidade, planejamento, controle e acompanhamento permanente”, afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere.

Orçamento e investimentos avançam

Os indicadores fiscais também mostram a dimensão da recuperação. Entre 2020 e 2026, o orçamento municipal passou de R$ 30,5 bilhões para R$ 53 bilhões, enquanto a arrecadação de ISS aumentou de R$ 5,9 bilhões para R$ 10,1 bilhões.

Os investimentos, que representavam em média apenas 2,6% do orçamento entre 2017 e 2020, chegaram a 10,5% no período mais recente.

Entre 2021 e 2025, o município registrou margem operacional média de 11,6% e manteve os pagamentos de salários e fornecedores em dia. Em dezembro de 2025, a dívida líquida consolidada correspondia a 35,8% da Receita Corrente Líquida, percentual significativamente inferior ao limite de 120% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Fitch destaca autonomia fiscal

A agência também apontou como fator positivo a relativa autonomia fiscal do município, com baixa dependência de transferências da União e exposição limitada a receitas mais voláteis, como royalties de petróleo e gás.

Para a secretária municipal de Fazenda, Andrea Senko, a classificação representa o reconhecimento da consistência das medidas adotadas nos últimos anos.

“Chegar, hoje, à nota máxima na escala nacional da Fitch é o reconhecimento de um trabalho consistente de recuperação das contas públicas e, sobretudo, a confirmação de que o Rio construiu bases sólidas para manter esse equilíbrio fiscal no futuro”, afirmou.

No cenário internacional, o Rio permanece com classificação BB e perspectiva estável, limitada pela nota soberana do Brasil. Segundo a Fitch, essa classificação internacional não representa uma restrição específica relacionada à situação fiscal do município.

A recuperação da nota máxima coloca novamente o Rio de Janeiro no topo da avaliação nacional de crédito e reforça a percepção de maior solidez das contas públicas da capital fluminense.