Produção industrial recua em junho e Firjan aponta juros altos como entrave à recuperação
A produção industrial brasileira registrou queda de 1,8% em junho na comparação com maio, considerando os dados com ajuste sazonal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho negativo atingiu 15 dos 24 segmentos analisados e reforça o cenário de desaceleração da atividade industrial no país.
Apesar do recuo no último mês, o setor acumula crescimento de 1,5% no primeiro semestre de 2026. No entanto, os números mostram que a expansão segue concentrada em poucos segmentos. A indústria extrativa lidera o avanço, com alta de 7,4% no acumulado do ano, enquanto a indústria de transformação registra crescimento de apenas 0,4%, evidenciando a perda de fôlego do principal segmento da atividade industrial.
Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o resultado reflete a falta de confiança do empresariado, cenário que vem se mantendo desde o início de 2025. Segundo a entidade, esse ambiente desfavorável reduz o ritmo dos investimentos e limita o aumento da produção.
A federação também destaca que, embora as incertezas no cenário internacional contribuam para a cautela do setor produtivo, o principal obstáculo à retomada da indústria está no ambiente econômico interno. Para a Firjan, o elevado patamar da taxa básica de juros restringe o acesso ao crédito e dificulta novos investimentos, comprometendo uma recuperação mais consistente da atividade.
Diante desse quadro, a entidade defende a adoção de medidas que estimulem o investimento produtivo e fortaleçam a competitividade da indústria nacional. Entre as propostas estão o avanço de reformas estruturais capazes de reduzir custos sistêmicos relacionados à produção e à logística, além da criação de condições que permitam uma redução sustentável da taxa de juros.
A Firjan também ressalta que a consolidação de uma política de responsabilidade fiscal é fundamental para restabelecer a confiança dos agentes econômicos. De acordo com a federação, um ajuste fiscal consistente tende a favorecer a redução dos juros, ampliar a oferta de crédito e criar um ambiente mais favorável ao crescimento da indústria. Sem essas condições, a entidade avalia que o setor pode perder ainda mais participação na economia brasileira, comprometendo o potencial de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos.

